Ontem consegui pegar uma sessão

Ontem consegui pegar uma sessão de cinema antes de ir à aula, e fui ver “A Paixão de Cristo”.
Eu dizia que Henry Sobel estava exagerando quando recomendou às pessoas que não assistissem o filme. Hoje vejo que ele tem razão, embora não ache que deva ser proibido – isso é contra a liberdade de expressão.
De fato, o filme é parcialista ao extremo, e repleto de metalinguagem insinuando a culpa “única” dos judeus. Se os defensores do filme alegam que tudo foi baseado em fatos históricos, porque mostrar tanto algumas coisas e ignorar outras igualmente importantes? Aposto que teve gente que saiu do cinema achando que os Pilatus e os romanos eram bonzinhos.
A questão aqui não é nem mais o nível técnico do trabalho (excelente fotografia, mas interpretações desiguais por causa dos idiomas, roteiro estranho, sem início e sem fim, supondo que o espectador já saiba de tudo), nem a violência explícita e, em certos pontos, até nauseante (no final do filme a impressão que se têm que é o sangue é que é o protagonista da história). Consideremos apenas a polêmica ideológica. Eu arrisco dizer que Mel Gibson foi um tanto quanto irresponsável em pôr fundamentalismo religioso em julgamento hoje, onde o mundo ocidental é refém do medo.
Mas enfim, ele conseguiu o que queria, publicidade e dinheiro, enquanto a polêmica em torno do filme está longe de acabar.
.: Via Desktop :.
ATUALIZAÇÃO>>> O Cleverson fez uma crítica bacana do filme. Aqui.


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