Ontem fiz uma prova na faculdade que consistia em escrever uma crítica de um filme que eu tivesse visto há pouco tempo e gostado muito ou detestado muito, sob o ponto de vista da estética e linguagem audiovisual. Escolhi um dos meus xodozinhos, A Lista de Schindler, um dos melhores filmes de todos os tempos, que vi pela 3ª vez no último fim de semana.
Então, escrevi. E como escrevi! Mas foram as 4 folhas de papel almaço mais penosas da minha vida. Obviamente não é pela dificuldade em lidar com as palavras, que domino bem. Mas em escrever tudo à mão. Constatei que a velocidade do meu pensamento não acompanha a velocidade da caneta, como acompanha nos teclados do computador e palm. Quando terminamos a prova, eu e o Cle comentamos justamente isso. Ele descreveu a mesma dificuldade. Digitar textos é mais que trivial em sua rotina de jornalista. Sente-se falta de fazer alterações ao longo do texto. Ajeitar uma frase aqui, a outra ali… trocar a ordem de alguns parágrafos… revisar e corrigir errinhos gramaticais… melhorar frases esteticamente… no papel tudo é mais penoso: ou se faz um rascunho antes e depois passa a limpo, ou se faz a maior lambança com corretivo.
Mas para meu estarrecimento, a conseqüência mais grave que o hábito de escrever no computador trouxe foi a mudança na caligrafia. Sempre me orgulhei da minha letra legível e bem-feita, desde a mais tenra idade no primário. Mesmo sendo exímia desenhista e amante dos traços esbeltos no papel, creio que eu não domine mais a caneta como antigamente. A letra está mais feia e não é mais uniforme do início ao fim. Sem contar que volta e meia escapa um ou outro caractere com cara de grafitti…
Solução? Desenhar mais. Escrever mais. Artisticamente, eu digo. Vou retomar minhas caricaturas, gibis, e fazer mais mapas mentais. PDA é bom mas não quero pisar na bola com um dom do qual me orgulho tanto!
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Bia Kunze é dentista homecare, consultora em tecnologia móvel e comentarista da rádio CBN.
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Concordo plenamente contigo.
Minha letra tb mudou muito… E pra pior.
Ficar horas no teclado acaba tirando a habilidade dos contornos das letras ao redigirmos um texto quando preciso.
Eu praticamente não escrevo mais a mão. Tudo por computador ou palm. Quando escrevo sai aqueles garranchões, mas dependendo do “tema” ainda sai legal. Mas longe de escrever longos textos a mão.
Você já me falou das suas caricaturas e desenhos. Tomara que você retome esse dom precioso, que vejo tão pouco aqui.
Eu também (orgulho e mudança – pra pior)
=(
Caligrafia bonita é redundância. Caligrafia já designa “letra bonita”. Então ou vc tem caligrafia ou não tem. ;^)
Ai, esqueci de comentar que meu principal problema com escrita à mão é que vez em quando eu escrevo vc, tb, pq, e já me peguei não poucas vezes escrevendo smileys.
Se nós, que somos grandinhos e temos computador há relativamente pouco tempo, sofremos com isso, imaginem as crianças que já nascem em frente ao micro. Essas sim nunca irão ter uma caligrafia (somente, pra evitar a redundância
). Eu também adoro desenhar e queria ver alguns dos seus trabalhos, Bia. Quem sabe não rola um novo blog
? Grande beijo :-** . SSS.
Oooops… redundância mesmo! Já corrigi o título. Valeu o toque!
Oi Bia! Verdade. Depois de Palm e PC, escrever não é mais a mesma coisa. Minha caligrafia já não era lá essas coisas desde que me lembro. Agora então, volta e meia tascando um “grafitti” no papel, chega a me irritar. Já se pegou fazendo um traço para trás tentando apagar uma letra escrita errada no papel? Que dureza… O jeito é voltar aos tenebrosos caderninhos de caligrafia.