Limão, limonada e caipirinha

Se a vida lhe der um limão… faça uma limonada. A vida deu-me um limão e eu fiz uma caipirinha.
Sexta termina o meu curso de aperfeiçoamento em pacientes especiais, que durou todo esse ano de 2004. Foi uma experiência extraordinária, onde passei por momentos bons e ruins – todos igualmente edificantes.
Quase desisti no meio do caminho por causa da montanha-russa que vivi nas adaptações de medicamentos para o transtorno bipolar, para puxar meu freio de mão. Não é fácil aceitar e seguir o tratamento, pois a hiperatividade me estimula. A criatividade vem nos momentos de insônia. Meus mil projetos deixam de ser projetos e se tornam realidade nos períodos de mania, que chegam a durar 2 meses. A inquietude é um ópio, doce e prazeiroso. E por isso mesmo perigoso, quando vem a sensação de poder, de invencibilidade exacerbados – que se trnsformam em agressividade.
De repente sou obrigada a ficar mais quieta, a fazer uma coisa de cada vez. Dormir mais. O corpo muda de ritmo, mas a cabeça nem sempre. É como uma pessoa sem pernas ver uma pista de corrida e desejar ardorosamente correr nela.
Briguei com professoras e me afastei de colegas. Briguei com meus pais, minha ex-sócia, minhas funcionárias e até minha sombra. Quase larguei tudo. Mas quando abri o jogo e assumi minha condição diante de todos, tive que vestir a camisa. Você pensa que nessa hora todos vão apoiar e ajudar, mas não é bem assim. Na real é uma luta solitária, eu versus eu.
Como trabalho de conclusão de curso, optei pelo tema transtorno bipolar e odontologia. Nenhum paciente do curso está nele. Eu estou. Sexta-feira apresentarei meu trabalho. E ele será encaminhado para publicação numa revista científica.
Sim, o limão virou caipirinha.
postado via pocket pc

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