TV digital: quem vence?

O papo do momento na esfera das comunicações é a TV digital, que implica na escolha de um modelo para o Brasil. A decisão final deve sair em fevereiro.
Padrão europeu, japonês ou americano? Entenda de forma bem simples o que é cada um e porque a escolha de um deles é assunto tão polêmico dentro e fora do governo.
postado via pocket pc


A guerra da TV digital no Brasil é uma briga de tubarões: Telecoms versus cadeias de TV. Cada uma defendendo a bandeira do padrão que está de acordo com seus interesses.
As Telecoms defendem o europeu (DVB), onde terminais fixos e móveis usam faixas de freqüência distintas, permitindo que empresas de telefonia explorem livremente a mobilidade, oferecendo conteúdo através de suas linhas telefônicas móveis.
As grandes cadeias de TV defendem o japonês (ISDB-T), lógico, porque vai no caminho oposto – é um sistema cuja digitalização depende apenas delas, sem abrir espaço para concorrentes. A exploração dos sinais de TV pelas Telecoms é algo que deixa os radiodifusores em pânico. Pelo padrão japonês, terminais fixos e móveis usam a mesma faixa de freqüência. O sistema japonês impediria que concorrentes explorassem a mobilidade, que é o que no momento mais atiça as Telecoms.
Tem ainda o padrão americano (ATSC) correndo por fora… Mas acho que não tem chance alguma.
Não vencerá o melhor, mas aquele que pode mais… Eu acho que o mais lógico e adequado é adotar o europeu – mais países usam, mais aparelhos disponíveis, e é um padrão que pode ser “mexido”, ou seja, pode ser adaptado à nossa realidade, incorporando aplicações e middleware nacionais e permitindo a criação de adaptadores de baixo custo aqui mesmo. A popularização seria mais rápida. O padrão japonês, ao meu ver, seria um tiro no pé. Só funciona no Japão e os japoneses não querem nem ouvir falar em mexer nele, ou fazer adaptações. Já viu, né?
O governo tá dividido – a Casa Civil pelo europeu (são eles que estão incentivando as pesquisas nas universidades) e o Ministério das Comunicações pelo japonês. O ministro Hélio Costa diz que não se deve escolher um sistema que prejudique os radiodifusores, que são eles que investirão na digitalização da TV brasileira, assumirão todos os riscos etc.
Como quem manda no Brasil, na real, é a emissora do Plim Plim, não duvido nada que a zebra do japonês vença…

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