Jornalismo asqueroso

Tive um choque ao constatar que o programa “Tudo a Ver”, da Record, saiu do ar. Pior, estenderam o programa do horário anterior, um medonho “mundo cão” comandado pela Sonia Abrão. Sim, a bela e carismática Patricia Maldonado, que apresentava um interessante misto de telejornal com variedades, foi substituída pela Sonia Abrão e sua voz de taquara rachada, apresentando um jornalismo nojento que explora sem dó as mazelas alheias.
Eu estava me preparando para ir para a faculdade quando um amigo ligou e pediu para ver a matéria que estava passando. Foi horrível. Mostraram um jovem com problemas mentais que vive numa “jaula” (termo usado no programa), preso pela própria mãe, que tem medo de vê-lo na rua. A apresentadora, com postura de benfeitora, diz que “a TV está ali para ajudá-la, já que a saúde pública não o faz”. E usa e abusa de chavões tipo “se ela fosse rica, isso não estaria acontecendo”.
E segue a matéria. O momento mais degradante foi quando o repórter entrou na “jaula” com um psicólogo. Assistimos, então, ao profissional de psicologia fazendo uma avaliação do paciente. “Você sabe que dia é hoje? E mês?” ao que o rapaz, de 20 anos, responde “8 de janeiro”. “Agora é de dia ou de noite?” “Dia.” “Você sabe quem é o presidente do Brasil?” “Álvares Cabral.” O ponto alto foi o repórter registrando as impressões do rapaz sobre as “vozes” que ele ouve, o que elas dizem e o que ele sente quando fuma maconha. Sempre inquirido pelo psicólogo.
Cadê a ética jornalística? Cadê o Conselho de Psicologia? Muita gente leiga até deve ter achado graça nesse tipo bizarro de interrogatório, mas isso não é nada engraçado. Não só é uma exposição absolutamente desnecessária, como digna de punição pelos órgãos regulamentadores da radiodifusão. Será que, porque a saúde pública e a justiça não cumprem seu papel, a TV pode atropelar qualquer tipo de ética e ainda dizer no ar que está ajudando? Aquilo me deu nojo.
Espero que meu professor perdoe meu atraso na aula. Eu tive que ver isso até o fim e contatei alguns colegas que trabalham com pacientes especiais. É revoltante. Nós vamos acionar a produção desse programa. Obviamente não vai dar em nada, mas eu não gosto de ficar quieta diante desse tipo de coisa. Quem tem um deficiente mental ou alguém que precisa de cuidados psiquiátricos na família sabe bem como é essa revolta a qual me refiro.
postado via laptop

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5 Comentários

  • Em 2006.03.15 08:17, Paulo Sérgio disse:

    Bia, já falei com o prof. Airton, ele deve te ligar hoje mesmo.

    • Em 2006.03.15 09:19, Ricardo disse:

      Isso me faz lembrar daqueles “Freak Show”.

      • Em 2006.03.15 10:22, the0ne disse:

        ética no jornalismo?
        acho que ainda vai nevar no centro-oeste antes disso acontecer…

        • Em 2006.03.15 10:43, disse:

          Também gostava do Tudo a Ver. Um ótimo programa de variedades, achava um espanto inclusive ele ser exibido na Record. Mas é como se diz, programas que não subestimam o telespectador e trazem informações relevantes não interessam ao público.

          • Em 2006.03.17 15:10, Neto Cury disse:

            Eu até gostava do TUDO A VER, achava ele meio fútil, com umas matérias nada a ver (nem todas), mas quando o Paulo Henrique Amorim saiu e no lugar colocaram aquele gordo, ficou impossível assistí-lo. Foi depois disso que o ibope deve ter ido por água abaixo e trocaram a programação…

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