Elegi alguém!

Eu podia escrever aqui um longo e superficial texto “revoltado”, falando das velhas raposas safadas que se elegeram nessas eleições, concluindo que o Brasil não tem jeito mesmo, que o povo é burro, que política no Brasil é uma merda, entre outros clichês. Mas não. Eu não estou revoltada, absolutamente! Estou feliz. Elegi alguém!


Nesses 14 anos com título de eleitor em mãos, nunca ajudei a eleger um vereadorzinho sequer. Sempre fui meio pé-frio em relação a candidatos de qualquer espécie e sempre fui na contramão dos candidatos que meus pais escolhiam, para desespero deles.
Em 1990 eu não votava, mas lembro que no colégio fizemos um grande movimento em cima de um candidato a presidente. O primeiro eleito direto pelo povo após anos de ditadura. Mas ele não ganhou. No ano seguinte eu exibia, orgulhosa, o meu título de eleitor recém-obtido. A partir de então passei 14 anos ouvindo “fulano não tem chance” e risadas da minha família. E daí? Eleição por acaso é corrida de cavalos? Sempre adorei política – outra vez, para espanto da minha família. Mas nunca fui militante de partido nenhum, não tive fase de “adolescente comunista”, tampouco matei aula na “passeata dos cara-pintadas” em 1993. Fazer barulho é fácil. Toda a vida preferi ler, acompanhar o trabalho de políticos, escrever para muitos deles, acompanhar debates, sugerir idéias, participar de rodinhas de discussões.
Esse ano a coisa mudou e pela 1ª vez um candidato que recebe meu voto se elege. É uma sensação nova. Boa. De esperança, acima de tudo. Meu candidato é um empreendedor bem-sucedido e esta é sua estréia como político. Enfim, estou me sentindo representada de verdade por alguém lá em Brasília. E não bastou eu votar. Minha verdadeira cidadania começará agora, acompanhando todos os passos do dito cujo.
Não vou entrar em detalhes em quem votei (e ajudei a eleger!) senão é bem provável que minha mãe tenha um ataque do coração e meu pai me deserde. Mas posso dizer aqui que fiz questão de mandar um e-mail desejando sucesso e avisando que estarei de olho nele.
E estou feliz também porque, pelo menos aqui no Sul, houve um equilíbrio maior de votos entre os candidatos à presidência. Já mencionei aqui que essas foram as “Eleições da Internet”, e as urnas confirmaram o que eu falei. Agora, nem interessa quem vai ganhar, Lula ou Alckmin: já ganhou o povo, que não se deixou abater pelo óbvio nem por pesquisas compradas. O povo discutiu o assunto, polemizou, vez valer sua voz em blogs e comunidades virtuais. E certamente, fiscalizará e cobrará mais do seu representante maior. Seja quem for. E ele, lá no Planalto, saberá disso.
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