Semana da mobilidade

Em 2003, o nome “Garota Sem Fio” parecia uma coisa tão futurística e fora da realidade que eu era sempre obrigada a explicar o que significava. Tecnologia já era algo meio de birutas e nerds. Móvel, então, era quase ficção científica.


E hoje, 2007, temos até uma “Semana da Mobilidade” – essa, promovida pela Intel, e que começou hoje. O tema do evento é “leve o mundo em suas mãos” e haverá várias atividades sobre os benefícios da computação sem fio. Hoje foi o dia do lançamento da nova geração da plataforma Intel Centrino Duo no Brasil. Essa semana será repleta de atividades ligadas à mobilidade, desde demonstrações de produtos até palestras sobre tecnologia wireless na FAAP. A programação vai até domingo, com cada dia dedicado a um tema. A programação completa está aqui. Uma pena que não poderei participar in loco, já que acabei de chegar de São Paulo e estou em semana de provas na faculdade. Eu sou móvel, mas ainda sou só uma… :-)
Irriquieta, cheia de planos e já multitarefa, comecei a usar celular em 1997. Eles ainda eram vistos como um luxo dispendioso. Eu já via como investimento: recém-formada, servindo o exército e cursando especialização, podia estar em vários lugares e ainda montar um consultório incipiente e estar disponível para meu “princípio de clientela” onde eu estivesse. Deu certo.
Em 2001, quando entrei no mundo móvel com meu primeiro Palm, talvez eu já tenha vislumbrado o futuro que eu desejava em termos de administração pessoal, tempo e produtividade. As fichas clínicas morreram, o DEF ficou esquecido na gaveta e a agenda de papel deixou de ser solicitada em eventos de amigo-secreto no fim do ano.
Em 2003, quando comecei a blogar, as pessoas achavam esquisito quando eu falava que era “sem fio” ou “móvel”. Como assim, sem fio? Fio dental? Como assim, móvel? Você anda? Se desloca?
Estranho? Hoje obviamente não. Não é à toa que me apaixonei por portáteis: eles significam liberdade. Nada pode ser mais nauseante do que passar o dia numa sala fechada, grudada numa cadeira e com o olho numa tela. Não, para alguém inquieta como eu, isso seria o fim.
Em 2005 abandonei o desktop de uma vez por todas e minha vida digital passou a girar apenas em meu notebook, meu smartphone e meu plano de dados GPRS ilimitado.
Mais que uma paixão, a mobilidade virou meu cartão de visitas. Me transformei numa uma dentista móvel, itinerante; vou até onde os meus pacientes, impossibilitados de freqüentar um consultório convencional, estão. Graças à tecnologia móvel, os prontuários deles vão comigo no meu bolso, junto com meus livros, guias farmacêuticos e referências em geral. Leio meus e-mails e RSS onde eu quiser. Escrevo meus textos em qualquer lugar, falo pelo Skype no meu próprio smartphone e ainda ouço música e rádios online. O PC de mesa, que para muitos ainda é uma pequena “caixa de maravilhas”, ainda mais num país que engatinha na inclusão digital, para mim é acessório. Mesmo o notebook, uso bem menos que o smartphone.
Minha vida mudou bastante depois que descobri o mundo wireless. Além de dentista, fui cursar comunicação, virei blogueira, podcaster, palestrante. Mas jamais abri mão da minha vida pessoal, do meu tempo de lazer. Otimizei meu tempo, e hoje me divirto tanto – ou até mais – que na época pré-mobilidade. A diferença é que trabalho menos, mas o tempo rende mais!
Como é que eu conseguiria fazer tanta coisa se eu não fosse… móvel?

postado via gprs / edge

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