Duelo entre fones bluetooth estéreo

Nesse post falo dos dois fones bluetooth estéreo mais populares no mercado brasileiro hoje: o Nokia BH-501 e o Motorola HT820. Estou com ambos há cerca de 3 meses e agora me senti apta a fazer um review comparando os dois. Qual o melhor?


Até algum tempo atrás, fone bluetooth estéreo era sinônimo de trambolho e ineficiência: pouca praticidade para transporte, qualidade de som duvidosa e autonomia de bateria péssima. Os atuais fones, em especial os avaliados nesse post, podem ainda não ser o padrão ideal de portabilidade e discrição comparando-se aos foninhos intra-auriculares. Mas a qualidade de som é a mesma dos bons fones com fio e a duração da bateria progrediu bastante.
Qual a vantagem de se substituir um bom fone com fio, que custe entre R$ 50 e R$ 100, por um sem fio, que custa três vezes mais? A resposta: liberdade e compatibilidade. Para quem pratica esportes ou tem mais de um celular e não quer carregar vários fones, fones bluetooth estéreo são uma excelente pedida.
Ouvindo cerca de 2h de música e podcasts por dia, eu só precisei carregar a bateria dos fones a cada 3 dias, aproximadamente.
Os dois fones avaliados não só funcionam para ouvir música, como também atender chamadas, pois apresentam também microfone. Assim, servem muito bem para qualquer smartphone: ouve-se música com qualidade, e, ao receber uma chamada, o player interrompe-se sozinho até você atender ou cancelar a chamada. Depois, o player é retomado automaticamente.
Nos meus testes malhando na academia, ambos os fones se saíram bem. Coloquei uma playlist de 1h30, o tempo da minha sessão, e esqueci da vida. O smartphone ficou guardado na mochila, do outro lado do salão, e o bluetooth não sofreu interrupções. Depois de 10m ou uma parede de concerto, a coisa complica, mas não foi o caso. Como a academia é um lugar barulhento, o Motorola ganhou vantagem em termos de qualidade de som, graças às “almofadinhas” que fazem o vedamento externo. Além disso, fones que vedam ruído externo poupam nossa audição, pois podemos ouvir música naturalmente em volume mais baixo:

À esquerda: os fones lado a lado. O Nokia, dobrável, mais portátil. À direita, os auriculares, sendo que o Motorola tem um acolchoado para isolar ruídos de fora.
Já para andar em lugares públicos, o Nokia ganha em termos de discrição. Se bem que para quem tem cabelo curto, isso não faz lá muita diferença. Porém, mesmo para mim, de cabelão preto e comprido, foi bem mais difícil esconder o fone da Motorola. Na verdade, o Motorola deixa a gente com uma vaga semelhança com a princesa Leia… sem contar os enromes leds azuis piscantes, mania crônica da Motorola. Para quem se desloca muito e carrega muita tralha todo dia, o da Nokia também ganha em portabilidade. Suas hastes são dobráveis, ele cabe facilmente em qualquer cantinho da bolsa ou mochila. O da Motorola não dobra e é mais volumoso, portanto ocupa bem mais espaço e é desajeitado de se carregar.
O pareamento de ambos é simples, mas vale lembrar que, para ouvir música, o smartphone precisa ter perfil bluetooth estéreo, tecnicamente chamado de AD2P. Quando fiz o pareamento de ambos com o HTC Touch, notei que quando o bluetooth do smartphone estava ligado e eu ligava o fone da Motorola, eles já se conectavam sozinhos. Bastava mesmo ligar o fone. Isso acontece também com o fone H700, e, pelo visto, é uma caracteristica inerente aos modelos da Motorola. Já o fone Nokia sempre exigiu que eu fizesse a conexão manualmente, ligando o fone e mandando o HTC Touch (e o Nokia N76) se conectarem à ele.
O Nokia tem os comandos mais simples: no auricular direito, o botão de liga/desliga (que também é uma tecla multifunção, para atender chamadas) e dois controladores de volume. Já o Motorola tem, do lado esquerdo, o botão de liga/desliga e mais dois para volume. E, do lado direito, um botão para atender chamadas e mais dois para avançar e retroceder faixas. Ufa! O Motorola também tem uma recurso a mais: um conectorzinho para um cabo que acompanha o produto e permite que se ligue ao celular caso a bateria do fone se esgote. Ótima sacada para viagens mais longas!
Mais algumas fotos do Nokia BH-501:

Motorola HT820 e adaptador USB bluetooth Motorola (vendido à parte):

Um adendo: experimentei ainda o adaptador bluetooth USB da Motorola no meu notebook. Assim, o fone HT820 também pôde ser usado para ouvir música e fazer chamadas VoIP no laptop. Ambos trabalham em ótima sintonia.
Quem vence o duelo? Eu concederia empate técnico à questão. Ambos se saem muito bem em termos de qualidade de som e autonomia de bateria. Mas o Nokia ganha vantagem na portabilidade, enquanto o Motorola apresenta melhor vedamento de ruídos externos. Recomendo o Nokia para quem já tem aparelhos dessa marca, pois utiliza-se o mesmo carregador para os dispositivos. Mas não há problemas de compatibilidade com celulares não-Nokia. Se você tem aparelhos que carregam pela porta mini-USB e quer evitar mais um carregador no seu arsenal, o Motorola é a escolha. Seja qual for a escolha, fones bluetooth estéreo são tudo de bom. Não consigo mais viver sem, ainda mais tendo dois celulares. Convergência é tudo de bom! Meu iPod nano, coitado, está esquecido na gaveta.
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