Review: HTC Magic

Estou com o HTC Magic, primeiro smartphone brasileiro com Android, há uma semana. E absolutamente encantada com o aparelho! Ainda não sei dizer se é a plataforma em si ou a interface Sense da HTC, cuja simplicidade de uso e integração inteligente entre os aplicativos me conquistaram logo de cara.

Confesso que antes de eu ter o Magic em mãos, no lançamento, eu estava com um certo medo. Eu já havia tido contato com o G1 em outra oportunidade – coisa rápida – mas o achei desengonçado e a interface não me atraiu. Mas o Magic é o oposto.

Leia mais: as primeiras impressões do HTC Magic

O aparelho

De cara se percebe, pelo, tamanho, – 116 gramas – e visual, que é um aparelho discreto. Leve para um smartphone do seu nível. O aparelho é fino e tem poucos botões, já que seu grande trunfo, a tela, precisa do maior espaço possível. De longe, ele pode até parecer um celular comum!

A memória RAM do Magic é de 288 MB e a ROM é de 512 MB. Mas para se mexer com arquivos multimídia – fotos, vídeos, música – é obrigatória a presença de um cartão microSD (de até 32GB) caso contrário, nem a câmera funciona.

Há 4 botões físicos para atalhos: Home (para voltar sempre à tela inicial), Menu (que abre as opções de cada tela ou aplicativo), Voltar (para voltar à tela imediatamente anterior) e Busca (que funciona tanto para o sistema como um todo como para algum aplicativo específico). Mais abaixo, os 2 outros botões físicos para chamadas (o vermelho também liga e desliga o telefone). O trackball luminoso facilita a vida de quem prefere rolar a tela com mais rapidez e selecionar opções, ao pressioná-lo. Ele pisca com veemência ao receber notificações, mas também fica com um piscar suave em modo stand-by. Nas laterais, somente um botão de volume à esquerda e atrás, a câmera de 3.2 MP com autofoco. Na base, embaixo, está o conector mini-USB para carregar a bateria, que também é o conector do fone de ouvido. Infelizmente, esse tipo de conector padrão da HTC há um bom tempo. É um saco não poder usar fones de ouvido padrão, de 3,5 mm. Felizmente o bluetooth é do tipo AD2P, e pode-se usar fones estéreo sem fio.

Ainda é cedo para avaliar a bateria, mas tenho usado bastante o aparelho para navegar por 3G e, principalmente, por wifi. Está durando aproximadamente um 2 dias e meio nessas condições, com GPS sempre ligado. Não uso email push. Creio que se ficar apenas no 3G, a autonomia caia. Falando em 3G, prepare-se para adquirir um pacote generoso de dados. Tudo no Android é online, sem você nem perceber.

Tela e Sense UI

A fluidez da tela (de 320 x 480 pixels) é tudo de bom. Rolagem macia, transições suaves, resposta ao toque é rápida e eficiente. O teclado virtual, embora menor que do iPhone, não exige precisão de arqueiro – viva a tela capacitiva! – e em 2 dias eu já estava digitando com agilidade. Acentuar e usar caractereres especiais é fácil. Não precisa se alternar entre teclados, ele é único.

Explicando o jargão técnico: capacitiva, significa que ela foi projetada para interagir com os dedos. Não basta ser touchscreen, ter botões e ícones grandes – muitos aparelhos são assim, mas costumam até acompanhar canetinhas. Mas telas assim sequer funcionam com canetinhas. Tem sensor de movimento, algo que está virando praticamente padrão nos smarts de hoje. Ou seja, ele “entende” quando a tela está na horizontal ou vertical.

O Magic brasileiro sai na frente com a interface Sense, que faz parte originalmente do Hero, o atual topo de linha dos Androids. Hardware à parte, mexer no Magic é igual mexer ao Hero.

O Sense é super personalizável. De cada lado da tela principal há 3 “telas extras” onde o usuário coloca o que quiser, em formato de widgets. Tudo tocando e arrastando com os dedos. E “pressionando” um ícone ou botão virtual, o Magic vibra suavemente como resposta ao comando.

Foco nas pessoas

O usuário organiza seus grupos de pessoas em perspectivas. Eles são linkados de diferentes formas. Além disso, cada contato tem seu histórico próprio de emails, SMS e ligações trocadas. Os dados vão além dos dados básicos de endereço, telefone, email etc: lá tem também sua página do Facebook, seu álbum de fotos no Flickr, seu Twitter, e por aí vai. Aliás, um smartphone com Twitter nativo é novidade. No Magic ele se chama Peep.

Configurando…

Quando se configura o aparelho pela primeira vez, ele pede sua conta no Google e também customiza suas contas Exchange ou emails POP e IMAP. Em seguida, pede para configurar suas contas nas redes sociais – Facebook, Twitter, Flickr e Plurk – em que você estiver inscrito. Pois é, logo de cara!

Aí ele se conecta e faz o “trabalho pesado” sozinho. Adiciona no catálogo de endereços seus contatos do Google, puxa suas mensagens do Gmail, atualiza seus compromissos do GCalendar e deixa o GTalk, programa de mensagens instantâneas, pronto para ser usado: basta um toque para ficar online e sair conversando com os amigos.

A propósito: ter amigos virtuais e ser ativo em redes sociais é o grande barato do Magic. Ele também acompanha a vida sócio-virtual deles. Na barra superior da home (foto ao lado), que pode ser “puxada” como uma cortininha, ficam as notificações. Além dos tradicionais “X mensagens novas, Y chamadas de voz, Z emails novos”, também aparecem quantos novos Tweets você recebeu e avisa que “Fulano postou nova foto no Flickr”. Sensacional!

No mais, ele tem todas aquelas coisas bacanas que nos simplificam a vida e arrancam oooohs! dos amigos. O GPS é espertíssimo: usá-lo só para mapas é coisa do passado. Há, por exemplo, a previsão do tempo, em que você não precisa mais adicionar a localidade (o GPS sabe em que cidade você está)… as fotos feitas todas com geo-tagging (latitude e longitude são armazenadas junto com as informações da imagem) e podem ir automaticamente para a “nuvem”. Depois, são auto-organizadas e visualizadas no aparelho num mapa, ou por eventos.

A busca também tem inteligência: possui um botão exclusivo na parte inferior do aparelho, e por ela acha-se qualquer tipo de informação guardada no aparelho: das caixas de email com diferentes perspectivas (filtros por assunto, anexos, etc) até o histórico de emails, SMS, Twitts e ligações que você trocou com determinada pessoa. Também fazem parte do pacote um navegador completo, com flash e opção de tela cheia.

Ah! Vejam que meigo! Até os emoticons são robozinhos verdes, o mascote do Android! (foto ao lado)

Ainda falta testar o sincronismo com PCs. Mas como no Android é tudo super conectado, super online, super nuvem, acabei me perguntando: sincronizar com o PC pra que?!

E o Android Maket, heim?

Bem, como falei no post das primeiras impressões, o Google não está dando bola para o mercado brasileiro de aplicativos. Uma pena. Assim, infelizmente, ainda não teremos uma loja oficial no país. Como consolação, temos a possibilidade de baixar os programas gratuitos à vontade. Mas lá há muitos demos em que não será possíveis adquirir depois, o que frustra muito a experiência. Mas pelo lado bom, nota-se que a loja de aplicativos está crescendo rápido, e a quantidade de programas gratuitos novos que lá surgem diariamente é enorme!

Muitos apps consagrados no iPhone ou outras plataformas já têm sua versão Android – Shazam, Nimbuzz, Skype, Remember The Milk, QuickOffice etc. – o que mostra a disposição dos desenvolvedores. Mas os desenvolvedores brasileiros não poderão trabalhar na plataforma até que o Google e a OHA (Open Handset Alliance), responsáveis pelo sistema operacional, tenham uma política de atuação comercial no Brasil…

Preços dos Androids no Brasil (sentem e respirem antes de ler)

O HTC Magic já está disponível na loja virtual da TIM, bem como o Samsung Galaxy. Surpreendentemente, o Magic está no mesmo patamar de preços de topos de linha de outras fabricantes, como N97 e iPhone 3GS. Na modalidade pré-paga, R$ 2.349. No plano Infinity Pós 160 (com franquia mensal de R$ 124,90 para voz e 60 torpedos, mais R$ 49,90 para dados limitados) o Magic sai por R$ 1.699. O valor mais barato do aparelho, R$ 1.349, está vinculado ao plano Infinity 1000 (R$ 349,00 para voz e torpedos mais R$ 49,90 para dados ilimitados).

htc-magic-tim

Opa, bola fora da TIM. O Magic da foto acima, na loja virtual, é branco. No Brasil só teremos o preto. Vejam que há “Vodafone” grafado logo acima da tela… #fail

Pode ser ingenuidade minha, mas como o Android foi criado em cima de código aberto, e fez-se até um consórcio com inúmeras empresas a fim de se diminuir o custo com licenças, eu achava que os Androids seriam uma opção para se popularizar dispositivos móveis, pra valer.

Mas um smartphone que custa um Corcel 83 não é algo que se popularizaria no Brasil, certo? :D

Será que isso vai mudar? Em novembro vem aí o Cliq/Dext. Será que a Motorola tem planos para dar a volta por cima e reconquistar o séquito de usuários perdidos?

Veja também: galeria completa de fotos do HTC Magic no meu Flickr

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