Review: Samsung Jét

O Samsung Jét é o sucessor mais poderoso do Samsung Star, ambos caracterizados por tela touchscreen e interface do widgets (eta que esse trem tá mesmo na moda, heim?) Apesar de não ser um smartphone, ele tem tantas funcionalidades que realmente parece um. Daí a alcunha “better than a smartphone”, usada na campanha de divulgação no exterior.

Depois de ficar com ele por 2 semanas, eu não chegaria a dizer que ele é “melhor que um smartphone”. De forma geral, o que caracteriza um smartphone é ter um sistema operacional que possibilite que se desenvolva coisas para ele, atingindo um alto grau de personalização. E “personalizar” vai muito além de colocar toques, ícones ou temas bonitinhos. Trata-se de adequar o dispositivo às suas necessidades de uso diárias, tal qual um computador. Mas o Jét tem tanta coisa integrada que, realmente, pode parecer um smartphone.

O nome Jét (com esse acento estranho mesmo) vem do fato dele ser um celular que prima pela velocidade – daí a referência a jatos no material promocional. A tela grande e os poucos botões fazem dele um aparelho diminuto, do tamanho de um celular comum, que cabe em qualquer bolso. Na hora de pegar no pesado, ele é ágil, bonito, gostoso de usar. Realmente, um avião ;)

O aparelho

O celular é quadribanda (funciona em EDGE/GPRS 850, 900, 1800, 1900 MHz, ou seja, no país todo) e suporta redes 3G HSDPA 3.6Mbps (em 900 e 2100 MHz). Tem wifi, bluetooth, GPS, mapas, rádio FM, MP3 e video player. Vem com 2GB internos para armazenamento, porém você pode expandi-lo com cartões microSD de até 16GB.

O aparelho é muito ágil, você alterna rapidamente entre os aplicativos. O teclado é responsivo, embora exija um pequeno “treino” antes que se pegue o jeito. Dá para usar também na horizontal, embora seja um pouco desconfortável caso o plugue do fone de ouvido esteja conectado. Aliás, sobre plugues, uma boa notícia: a Samsung, que costumava usar conectores proprietários, finalmente aderiu ao mini-USB, tanto para recarga como sincronismo. E o plugue padrão de 3,5mm permite que você use qualquer fone de ouvido no MP3 player.

Essas virtudes na agilidade e rapidez são obra do poderoso processador de 800MHz, que também ajuda muito para quem gosta de games. Assistir filmes também é um espetáculo: não há lags.

O display AMOLED de 3.1” e 16 milhões de cores é nítido e brilhante. Quando você está em ambiente pouco iluminado, a luz da tela retrai; ao sair para o ambiente externo, ela se intensifica. É outra coisa que está na moda, ainda bem, pois esse controle inteligente favorece a leitura e poupa bateria.

Apesar do da tela grande e touchscreen, do 3G, do wifi e do GPS, a autonomia é ótima. Usando diariamente todos esses recursos e fazendo ligações, ela dura cerca de 2 dias. Em standby e para consultas esporádicas ou ouvir música, ela pode chegar ao dobro.

Interface, widgets e programas

Seu sistema operacional é o TouchWiz 2.0, proprietário da Samsung. Deslizando o dedo verticalmente numa barrinha virtual retrátil, se acessa redes sociais, sites e alguns dos últimos aplicativos acessados. Os aplicativos são os básicos de um smartphone: calendário, contatos, browser, tarefas, gravador de voz, mapas, bloco de anotações e até um gerenciador de arquivos. O papel de parede é trocado ao deslizar o dedo horizontalmente na home, criando pequenas “áreas de trabalho”.

O suporte a contas Exchange realmente impressiona, pois é incomum nesse tipo de dispositivo. Pois é! Ele é um celular, tem Exchange e até instala o ActiveSync no Windows! Contudo, não pense que você poderá usá-lo para trabalhar: ele fica devendo na visualização e edição de arquivos Office e o leitor de PDF é horrível, não dá para ler direito as coisas e a rolagem é tosca.

Chama a atenção o modo multitarefa: apertando e segurando o botão central, você pode alternar entre os aplicativos de modo flip em 3D, também característico do Jét, deslizando o dedos entre as janelas. Dá tranquilamente para fazer downloads e ler uma página na web ou PDF ao mesmo tempo, ele é multitarefa e não cansa fácil. O tal menu cúbico, porém, que a Samsung apresenta como diferencial, fica muito escondido, num botão dedicado perto da câmera. Só depois de alguns dias descobri que ele existia! Bem, isso não é lá grande novidade, o primeiro aparelho a adotar interfaces cúbicas foi o HTC Touch, há 3 anos…

Depois de uma semana usando o Jét, entendi o conceito “smarter than a smartphone”: o aparelho tem como público-alvo pessoas que querem um celular touchscreen turbinado, e com todas as aplicações básicas já vindo de fábrica: GPS, navegador, interação com redes sociais, email (POP, IMAP e Exchange), foto, vídeo, música e jogos. Muita gente realmente se atrapalha ao adquirir um smartphone e ter que ir caçando aplicativos que façam aquilo que ele quer. O Jét vem pronto. Não acho que isso o torna mais esperto que um smartphone – afinal de contas, as possibilidades se tornam infinitas graças à criatividade dos desenvolvedores – mas o Jét é o típico aparelho em que você compra, coloca seu chip e já sai usando.

Bom celular, cliente para PC péssimo

Ele funciona bem de modo independente, mas em dado momento você vai querer sincronizar com o PC. Pelo menos para transferir fotos, músicas e vídeos para o computador e vice-versa, certo?

menu-samsung-pcAí começou meu padecimento. O software de gerenciamento e sincronismo é pesado e cheio de bugs. Tive que proceder à instalação duas vezes até que o computador reconhecesse o celular. Os sincronismos foram repletos de erros, e os processos sempre foram interrompidos. Reiniciei várias vezes o computador depois de usar o aplicativo. Nem a interface ajuda: lenta e confusa, com um estranho bug de mistura de idiomas nos menus. Foi uma experiência dolorosa.

Entrei em contato com vários técnicos da Samsung, detalhei os bugs, enviei essas telas esquisitas. Eu mandei instalar em português, juro. Que salada de idiomas é essa? E os ícones e menus não são nada intuitivos. Que diabos quer dizer “adicionar estágio do usuário – adiciona um novo cenário“? Quando reportei isso no Twitter, vários leitores me explicaram que esse cliente para PC é o mesmo de outros aparelhos, com as mesmas bizarrices. Samsung, por favor, conserte esse cliente para PC para não manchar a reputação do Jét, que não merece isso!

A câmera é um avião

Se eu tivesse que destacar minha funcionalidade favorita do Jét, eu diria sem titubear que é a câmera de 5 MP. Merece sem dúvida um destaque à parte. Obtive fotos de excelente qualidade, nas mais variadas formas de captura: dia, noite, flash, com ajuste de branco e luminosidade. Tem foco automático, zoom digital de 4x e flash – que é excelente. Como extras, temporizador, fotos sequenciais e até detector facial! Ele também faz vídeos na resolução de 640×480 (VGA). Considerando as limitações de uma câmera de celular, lógico, não obtive fotos ruins por problemas de luz.

A seguir, duas fotos. A dos gatinhos foi obtida no modo automático com luz diurna. A do livro, em macro, que no Jét é chamado de “modo texto”. O registro de notas, bilhetes e páginas de livros é bastante nítido, dá até para arriscar fazer OCR! Clique nas imagens para ver as fotos originais. (2560 x 1920, 1,9 MB)

Conclusão

Apesar do apelo profissional do suporte a contas Exchange, o Jét é, na realidade, um celular para diversão. Quem quer música, jogos, navegação, fotos bacanas e redes sociais, é a escolha perfeita. A câmera é excelente. Só ficou devendo num widget para Twitter.

O Jét pode ser encontrado em várias operadoras, por vários preços e com diversos pacotes de serviços vinculados. Contudo, no varejo, o preço dele desbloqueado está na média de R$ 1.800,00.

Veja mais: galeria completa de fotos do Samsung Jét no Flickr

Veja o Samsung Jét no site do Submarino.

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