Review: 6 meses com o iPAQ Voice Messenger

O iPAQ Voice Messenger é um dos smartphones mais elegantes e discretos que já tive a chance de usar. Combina perfeitamente com o ambiente corporativo e com usuários que gostam de aparelhos com jeito “chique”. Mesmo assim, a gama de funcionalidades não deixa nada a dever: tem bluetooth, wifi, GPS, slot para cartões de memória micro-SD (de até 8GB), comandos de voz e câmera de 3.1 megapixels com foco automático e flash. Ou seja, é para quem gosta de beleza e funcionalidades ao mesmo tempo.

O dispositivo é um smartphone que roda a versão Standard do Windows Mobile, mais simples de usar que a versão Professional, sem touchscreen. Ultimamente, na área de dispositivos móveis, a HP vinha focando mais em PDAs para o meio corporativo. Sua linha de smartphones não-touchscreen deu início com o antecessor, o iPAQ 510 Voice Messenger.

Elegante, discreto e com um belo acabamento, o iPAQ Voice Messenger é voltado para quem não gosta dos smartphones com teclado QWERTY, que costumam ser maiores e mais chamativos. O design matador impressiona pela beleza, inclusive na traseira metálica. E não é aquele trambolho que caracteriza a maioria dos smartphones: cabe num cantinho da bolsa ou no bolso da camisa sem fazer volume.

O teclado semi-QWERTY pode parecer no estranho no início, já que parece focado para quem escreve pouco no celular. Mas é exatamente o contrário: com o tempo o usuário logo se torna mais ágil na digitação de palavras, em especial no modo de previsibilidade de texto. Escrever emails longos acaba não sendo uma tarefa penosa e demorada, pois ao contrário dos teclados alfanuméricos com T9 (que tem 3 letras por tecla) e dos full-QWERTY, o semi-QWERTY do Voice Messenger possui 2 letras por tecla.

6 meses com o Voice Messenger

O que não gostei muito foi a mistura de teclas “apertar” e teclas “soft”. No começo estranhei muito. Explico: o teclado alfanumérico tem botões que devem ser pressionados, mas os botões de menus e o navipad central são sensíveis ao toque. É fácil confundir-se e ficar tentando apertar os botões ao invés de apenas tocá-los. É algo que se acostuma só com o tempo. O navegador central, porém, é o mais confuso. É preciso cuidar para que o dedo não deslize pelas laterais, pois o pouco que sair pra fora já pode encostar numa tecla de menu. Demorei vários dias para pegar a manha e evitar toques acidentais. Mas quem tem o dedo mais largo sentirá dificuldade e poderá se frustrar.

A tela, grande (2,4 polegadas), bonita e brilhante, tem resolução de 240 x 320 pixels, o que permite ler e escrever textos com conforto visual. Chamou a atenção o fato do Voice Messenger já vir com uma película protegendo-a, sob o plástico de proteção comum do produto na caixa. É praticamente imperceptível.

A lateral direita tem o botão da câmera, a porta micro-USB e a entrada para fone de ouvido. Acima, uma chavinha para colocar o celular em modo silencioso. No lado esquerdo, o keyguard – botão que “trava” o teclado evitando digitação acidental – as teclas de volume e um botão “em branco”, personalizável. Você pode configurá-lo para abrir o aplicativo que quiser. Nas configurações de fábrica, ele vem setado para rodar os comandos de voz: basta pressioná-lo e pedir para fazer ligações, acessar a caixa postal, ler SMS, emails e compromissos, abrir aplicativos, gravar memos de voz e até perguntar que horas são.

Pessoalmente nunca fui muito fã de comandos de voz em celular. Não que não sejam úteis e práticos, pelo contrário. Mas o idioma sempre foi uma grande barreira: ou era preciso falar em inglês ou era preciso aprender a falar o nome de seus amigos com um sotaque esquisito. Felizmente não é o caso do Voice Messenger, que aprendeu a entender nosso bom e velho português.

As especificações robustas do hardware impressionam. É bastante incomum encontrar um processador de 528 MHz (Qualcomm 7201A) num smartphone desse porte, o que mostra que o dispositivo tem fôlego para rodar aplicações multimídia pesadas, como vídeos, carregar mapas e executar e grandes bibliotecas de música. Todo o sincronismo é feito nativamente pelo Device Center nativo do Windows Vista (ou instalando o ActiveSync na versão XP e anteriores) e as bibliotecas musicais, pelo Windows Media Player.

Se ele agrada em multimídia, não deixa a desejar no trabalho: tem integrado ao sistema o Outlook, o Office Mobile (com Word, Excel e OneNote para editar e visualizar e PowerPoint para visualizar), o Live Messenger e um leitor de PDFs. Também está pronto para funcionar com servidores Exchange. Para navegar na internet, o browser é a versão pocket do Internet Explorer. Mas dá para baixar da internet o Opera Mobile, gratuito, na versão Java.

Também incomum num smartphone desse porte, o iPAQ dá um banho de conectividade: possui porta micro-USB, o novo padrão para dispositivos móveis, que permite fazer tanto sincronismo como para recarga de bateria. Nas interfaces sem fio, bluetooth 2.0 e wifi b/g. E possui A-GPS, vindo com o Google Maps previamente instalado para o usuário imediatamente começar a navegar. O GPS mostrou-se ágil na detecção do sinal, em média, mas em dias nublados ou chuvosos há uma pequena demora, como é de se esperar – nada que comprometa seu uso com conforto.

Se você está preocupado com a compatibilidade do aparelho com redes GSM, EDGE e 3G brasileiras, pode ficar descansado. O aparelho é quadribanda em EDGE e tribanda em HSDPA (850/1900/2100 MHz), o que significa que ele funciona em todas as operadoras do país. Algumas operadoras já estão testando o modo HSUPA, que permite melhor desempenho do tráfego por upload, em algumas cidades brasileiras. Quando o serviço estiver maduro, o iPAQ poderá também navegar por esse modo, já que também está pronto para HSUPA 2,0. Além disso, o Windows Mobile permite que se use o smartphone como modem ligado a um laptop ou desktop. Basta entrar em Iniciar – Aplicativos – Compartilhamento de internet e escolher se você quer fazê-lo por cabo USB ou bluetooth. Em segundos você já está navegando na web no seu PC, sem dores-de-cabeça ou configurações complicadas.

No dia-a-dia de trabalho, a bateria de 1260 mAh aguenta 3 dias entre chamadas de voz, emails e alguma navegação, com 3G, wifi e GPS. O uso extensivo de 3G compromete bastante essa autonomia, principalmente quando usado como modem bluetooth, ao passo que um uso menos regular de dados pode estender a carga em até 5 dias.

Na caixa, além do aparelho, acompanham bateria, fones de ouvido estéreo (com plugue de 2,5 mm) cabo USB e adaptador de tomada. Foi um pouco decepcionante constatar que não vem um cartão de memória junto, o que impede de começar a desfrutar imediatamente de todo o leque multimídia que o iPAQ promete.

Outra preocupação: o upgrade para futuras versões do sistema operacional Windows Mobile Standard não foi confirmado pela HP. O hardware dos iPAQs sempre foi excelente, mas os upgrades de sistema costumam ser nebulosos. O problema mais sério ocorreu há alguns anos, quando foi prometido um upgrade de sistema para uma linha de PDAphones e, na última hora, a HP desistiu e descontinuou o produto.

No dia-a-dia na mão de executivos, notei aquela que é a grande vantagem do aparelho: a rápida ambientação ao sistema operacional. O Windows Mobile tem fama de complicado, mas a versão Standard é o oposto. A adaptação em empresas que usam Windows Outlook / Exchange / Windows Mobile costuma dar um pouco de trabalho ao pessoal do TI, que precisa “desmistificar” smartphones complexos. O Voice Messenger é a alternativa para profissionais que não querem perder tempo aprendendo sistemas operacionais complexos.

Eu gosto de usar o Voice Messenger em situações que não quero “ostentar”, principalmente na rua, mas onde preciso acessar as funções de smartphone. Não dá nem um pouco na vista.

Apesar de não ser um aparelho badalado no mercado, é bem aceito entre executivos. Não sei como tem sido a distribuição do produto nas operadoras.

Se você prefere smartphones com telas sensíveis ao toque e um sistema operacional mais completo, aguarde mais um pouco: a HP prometeu que sua linha de PDAphones deve voltar.

Veja a galeria completa de fotos no meu Flickr.

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