Chegou a hora dos “iPods de livros”?

nook

Demorou, mas finalmente estamos assistindo a uma competição de verdade no terreno dos eReaders! O lançamento do Nook, leitor digital de livros da rede norte-americana Barnes & Noble, já surtiu efeito para os lados da Amazon, e o Kindle internacional está U$ 20 mais barato.

O Nook é parecidíssimo com o Kindle em diversos aspectos, mas a telinha colorida touchscreen que fica embaixo é a cereja do sundae. Isso deixa mais espaço para o livro em si, já que sempre achei um desperdício aqueles botões todos do Kindle. Outra grande sacada foi a possibilidade de poder emprestar o e-book para amigos por 2 semanas – algo que todo mundo fez a vida inteira com os livros de papel – mas com a vantagem de não ter que ficar pedindo de volta depois…

A B&N permite a leitura gratuita de qualquer e-book quando se estiver dentro de uma loja física. Além do mais, o Nook roda o Android OS, o que abre uma imensa possibilidade de melhorias a partir do desenvolvimento de aplicativos e plug-ins. Pena que não há um “Nook internacional”, por enquanto seu uso é restrito ao território dos EUA.

Em um curtíssimo espaço de tempo, além de derrubar o preço do Kindle, a Amazon anunciou uma versão do leitor para PCs no dia do lançamento do Windows 7. E, poucos dias depois, disse que uma versão para Mac também está a caminho. Graças à tecnologia WhisperSync, será possível retomar a leitura de um livro no PC exatamente onde se parou no Kindle, e vice-versa.

O que é que um pouquinho de concorrência não faz, heim? :)

De quem é o livro?

Toda essa guerra de eReaders entre as grandes livrarias é muito bem-vinda, mas acredito que ainda estamos longe da era do “iPod dos livros”. É muito prático, realmente, comprar e baixar um livro com um toque de botão, podendo iniciar sua leitura imediatamente. Mas o universo que cerca os leitores digitais são repletos de restrições e bloqueios, de forma que quem decide o que é feito com os livros é a loja, e não o usuário.

Prova disso foi o fiasco do apagamento deliberado de 2 livros de George Orwell dos Kindles dos usuários. Por questões de licenciamento, a Amazon de um dia para o outro removeu os livros dos usuários e deu um ressarcimento no valor correspondente para outras compras na loja. É como se, na calada da noite, o dono da livraria entrasse na sua casa, pegasse um livro de volta e deixasse em cima da mesa o dinheiro.

O CEO Jeff Bezos se desculpou em seguida e disse que isso não aconteceria mais. Mas quem garante? Esse sentimento de insegurança é uma barreira imensa para o sucesso desse modelo de negócios. Assim como gostamos de possuir as músicas que compramos, também gostamos de ser donos dos nossos livros, e queremos ter a certeza de que ele estará a mão quando precisarmos. Se você gosta de fazer anotações no livro (algo possível nesses leitores digitais), não dá um calafrio na espinha só de pensar em perder tudo? Ou melhor, em ter tudo tirado de você?

Embora tenha ares de “mais independente”, o leitor de livros da Sony passa pelas mesmas restrições. A não ser que surja no mercado um leitor totalmente aberto e independente, quem quiser comprar e ler livros num eReader terá que estar de acordo com todas as regras impostas pelo fabricante.

Será que as pessoas se acostumariam à idéia de que, no mundo dos eReaders, elas possuem uma licença de um livro, e não o próprio livro?

amazon-kindle

Jornais iludidos

Quem enxerga os leitores digitais como a salvação que caiu do céu são os jornais. No Kindle, é possível receber diariamente as edições de diversos jornais de todo o mundo (incluindo o brasileiro O Globo) por preços que variam de U$ 10 a 28 por mês.

Não sei se é ingenuidade ou ignorância, mas será que eles ainda não entenderam que a internet os está derrotando por motivos muito mais profundos do que a mera transição de papel para bits? Na web, pode-se pular de um veículo noticioso para outro com imensa facilidade – não adianta nada a mesquinharia de links que eles adotam. Pode-se ler o que quiser em qualquer computador ou dispositivo móvel, a hora que se desejar. Na web, pode-se interagir e até criar seu próprio conteúdo.

Os grandes publishers estão empolgadíssimos e certos de que recuperarão as assinaturas perdidas e são os que mais torcem pela popularização dos eReaders. Coitados…

Post to Twitter Twittar este post

Confira também

15 Comentários

  • Em 2009.10.28 07:46, Advan Shumiski disse:

    Bem legal a matéria.
    Sinceramente, acho muito dificil que o Kindle vá pra frente com essa autonomia da Amazon pra apagar o que acha melhor quando acha melhor.
    O grande lance da internet/virtualização é o controle que o usuário tem sob o conteúdo, e restringir isso com certeza não é o melhor caminho!

    • [...] This post was mentioned on Twitter by Bia Kunze and luciano bonachela, Advan Shumiski. Advan Shumiski said: RT @garotasemfio Novo post no blog: Chegou a hora dos "iPods de livros"? http://bit.ly/z7gJ6 [...]

      • Em 2009.10.28 08:54, Eduardo disse:

        Oi Bia…

        No lançamento do Kindle, fiquei contente com a novidade, mas não com a certeza ou vontade de ter um. Com o lançamento do Nook, isso mudou. O fato de poder baixar/comprar eBooks pelo PC e enviar para o dispositivo já me agrada. Só tenho medo mesmo de comprar, e no futuro, a B&N colocar alguma restrição por eu ser do Brasil. Mas o certo mesmo é esperar, estou torcendo para que esta briga seja intensa e que algum padrão ou algo próximo disso seja definido. O dia em que as revistas e jornais nacionais disponibilizarem assinaturas para eReaders, será ótimo. Viajo toda semana e tenho que escolher algumas revistas para carregar na mochila, tendo tudo isto num lugar só, será o mundo perfeito. Mas claro, tudo isso ainda é novo e precisa melhorar muito.

        Sem contar que ainda teremos as novas tablets chegando, que também acho que tentarão concorrer com os eReaders. Se alguma delas conseguir adaptar a “tinta digital” utilizada nos eReaders, tem grandes chances de sucesso. Terão muito mais recursos mas também tem a desvantagem do tamanho.

        Agora é esperar pra ver…

        Abs

        • Em 2009.10.28 09:08, Rodrigo Araujo disse:

          Olá Bia, parabéns pelo novo blog. É bom ter seus posts de volta. O único porém são os ads que estão sendo veiculados na versão rss, você já viu?

          Propaganda de HiPhones e coisas parecidas. Tá certo que não é você que escolhe o anuncio que vai aparecer, mas está triste ver um blog que fala de gadgets “sérios” anunciar porcarias como estas.

          • Em 2009.10.28 10:07, Rogerio Buzelli disse:

            Bia,
            Estive conversando com alguns amigos sobre esse assunto alguns dias atrás e ja estava rascunhando um texto sobre o assunto, vou colocar seu post como referência e abordar outros assuntos. Ótimo post e timing! =)

            • Em 2009.10.28 10:32, Fabiano disse:

              E ninguém fala do DAISY, um formato aberto de livros digitais.
              http://www.daisy.org
              O Brasil está na frente, com o MECDAISY, onde cada aluno com deficiência visual do Ensino Fundamental irá ter um notebook com todos os livros didáticos, fornecidos pelo MEC!

              • Em 2009.10.28 11:08, dflopes disse:

                hum…

                Apesar de ser um leitor voraz, os e-books ainda estão caros, lentos e sem uma gama de arquivos decentes (pdf, djvu, doc, rtf, etc).

                Fugi para um n810, que apesar da tela lcd (com retro-iluminação que cansa a vista), supriu minhas necessidades por um preço bem menor.

                Apenas 700,00 na loja submersa!

                • Em 2009.10.28 19:40, Elaine Costa disse:

                  Oi, Bia! Eu tinha esperanças desse mercado avançar. Afinal, o uso de um eReader ajuda a reduzir a emissão de carbono da indústria editorial em quase 23 livros / ano. Ainda assim, as opções são muito restritas. Por isso, optei por usar o mobipocket no meu TyTn. Tem atendido minhas necessidades até agora e otimiza bem o uso do celular.

                  • Em 2009.10.28 21:36, Rafael Verediano disse:

                    O bacana será quando o Google começar a botar as asas de fora nesse nicho de mercado. Afinal, eles já tem um grande acervo de livros em diversos idiomas. Acho que isto não vai demorar.

                    • Em 2009.10.29 08:19, Eduardo disse:

                      dflopes, bom dia.

                      Foi adotado um padrão internacional para formato de eBook, o ePub. Inclusive a Google anunciou que vai adotar o padrão também para o Google Books. MUITO melhor do que PDF, pode ser lido em qualquer dispositivo. Para PC tem um software da Adobe muito bom para ler, o Adobe Digital Editions. A editora plus está inovando no Brasil com o lançamento de títulos no formato eBook, tem no formato ePub, PDF e até para o Mobi (Para ver em dispositivos móveis), vale dar uma olhada: http://editoraplus.org/.

                      Abs

                      • Em 2009.11.04 09:27, Sandro Souza disse:

                        Olá Dra. Bia,

                        Concordo plenamente com seu artigo aliás muito claro, parabéns!
                        Eu acho vejo os livros como o terceiro grande nicho de mercado (depois da música e do vídeo) a se digitalizar. Talvez seja o mais importante. Bem… o que eu acho válido é que a diminuição do consumo de árvores para a produção de papel.Só por isso a iniciativa já tem um valor diferenciado do que a música por exemplo. Pois livros e jornais são basicamente feitos de papel.

                        Concordo e discordo quando você fala de trocar de notícias de um canal para outro na internet. Convenhamos, qual é o preço disso?
                        Vamos pensar no Brasil. Para se ter a internet com a mesma mobilidade de um Kindle, é necessário um aparelho celular tipo smartphone (sei que você é perita nisso) que hoje o “piorzinho” custa R$ 1.000 mais uma assinatura de pacote de dados que junto com o pacote de voz custa no mínimo R$ 100 por mês. Será que isso é válido?

                        Com o nook ou Kindle, você pode baixar o conteúdo através dele ou de um computador ligado na porta USB. Não seria necessariamente ter uma conexão direta uma vez que você tem um jornal todo no aparelho.

                        No caso do jornal, também acho que você está certíssima… a tendência é diminuir a circulação a cada dia mas, ninguém sabe ao certo qual seria o melhor meio para sua substituição por que a gratuidade da informação na web é muito grande. Podemos acessar do trabalho ou em casa e não há a necessidade de carregar uma publicação com notícias “velhas” para se ler no ônibus.

                        Nesse ponto acho que o livro terá mais sucesso. Pois sendo digital ou não a intenção não é ter informação de canal de notícias mas, sim a portabilidade de poder ler em qualquer lugar uma história.

                        De qualquer maneira, ninguém sabe muito bem para onde vai o digital, ou melhor como migrar para o digital pois, não existe mais o formato que a industria dita mas, sim o formato que o público alvo aceita.

                        Então, eu penso que nessa digitalização de conteúdo o livro terá bem mais sucesso que o jornal ou revista.

                        Mas, o tempo irá dizer… a indústria fonográfica dormiu no ponto. Hollywood abriu um pouquinho a mente… As editoras de livros me parecem que não vão cometer os mesmos erros.

                        Muito legal mesmo o seu blog. Eu também tenho um e nesse último domingo escrevi um artigo sobre o mesmo assunto.

                        Ficaria honrado de receber uma visitinha sua lá!

                        O blog é o Bravo Mundo Digital (http://www.bravomundodigital.com) e o artigo sobre o ebook é http://ssouza.blogspot.com/2009/11/especial-domingo-e-books-e-e-readers.html

                        Sucesso e felicidade!

                        Sandro Souza.

                        • Em 2009.11.04 12:17, Dicas de Excel disse:

                          Vou esperar pelo papel digital… ou pelos celulares com telas expansíveis

                          • Em 2009.11.12 16:45, Bruno Assumpção disse:

                            Estou com kindle internacional desde o dia 21 de outubro e até agora estou muito satisfeito.
                            Poder ler jornais e livros em um só lugar é ótimo. E melhor ainda não ter que ter que ir pegar o jornal todas as manhãs. Com o kindle basta ligá-lo.
                            O serviço whispernet funciona muito bem no Brasil e não é preciso usar o USB pra nada (mas se quiser está disponível). Quem for comprar, recomendo usar escolhendo o USA como o país , pois alguns livros, revistas e jornais por conta de direitos autorais não estão disponíveis quando se seleciona Brasil.

                            • Em 2009.11.23 13:46, Mateus disse:

                              Olá Bia! Tudo bem?

                              Acho excelente sua opinião técnica sobre o assunto. Por outro lado, não acredito que estes produtos vão pegar por um único motivo. Ninguém aguenta carregar tantos gadgets… é smartphone é iPod pq o meu não cabe tudo no celular hahaha, é notebook é um monte de coisas e esse negócio não é novo, esse paradigma é velho. A minha geração pessoas que nasceram nos anos 80 não compram jornal em papel. Lêem tudo online. Livros? Ebooks em inglês são facilmente encontrados em compartilhadores. Telas pequenas? Não mais! Temos monitores grandes acessíveis.

                              Me desculpe a sinceridade, mas eu vejo essas porcarias se tornando lixo e as pessoas não sabendo o que fazer com esse lixo para ser reciclado – falamos de TI verde e cada vez mais surgem gadgets que não resolvem nenhum problema anteriormente já resolvido pelos bons e velhos ebooks que você lê no computador (até a postura ergonômica é melhor do que ler em uma mesa… passo muitas horas lendo livros em PDF no meu computador e não canso…

                              Será que essas pessoas que falam bem do Kindle já tentaram ler um livro de umas 400 páginas nele? Com fórmulas matemáticas, figuras, vídeos de uma pancada só? Imagine ler um livro com fórmulas matemáticas e você queira abrir o open office para rascunhar algumas coisas… se você estiver lendo no Kindle, você terá que deixar o Kindle de lado, abrir um aplicativo no PC hahahahahah e fazer a prova que quer com as fórmulas.

                              Enfim, isto é uma opinião particular.

                              Um grande abraço e parabéns pelo blog!

                              • Em 2009.11.24 17:31, Bia Kunze disse:

                                Mateus, bom ponto de vista o seu. Sabe o que me dei conta agora? As pessoas que conheço que tem Kindle são, em sua maioria, escritores ou jornalistas, e não necessariamente fãs de tecnologia. Eles tem no máximo um celular, ou smartphone. Mas são ávidos leitores.

                                Realmente, por mais geeks que sejamos, carregar mil coisas na bolsa não dá… É celular, é MP3 player, é PSP, é note/netbook, é modem 3G… credo! :)

                                (Required)
                                (Required, will not be published)
                                Desenvolvido por Agência WX