Velhos tempos: mobilidade sem conectividade

Os mais antigos participantes das listas de discussão sobre Palms e afins devem ser lembrar dessa época. Lá por 2001, 2002. Para sair do ambiente virtual, regularmente organizávamos “palm-chopps” em bares e restaurantes. Eram divertidos. Conhecíamos ao vivo pessoas com quem só trocávamos emails. Fazíamos troca de cartões de visitas entre nossos Palms (o popular “beam”, por infravermelho) assim que chegávamos. Assediávamos o colega que tinha recém-comprado a última novidade. Trocávamos programas para Palm ali mesmo, entre a gente, sempre por infravermelho. Internet móvel ainda estava na fase dos testes com gambiarras. Depois disso, era beber, comer, contar piada e fazer muitas fotos.

Éramos móveis, mas não éramos conectados.

Hoje os encontros no mundo real giram em torno de comunidades e redes sociais. Todo mundo o tempo todo conectado. Não se consegue manter por 5 minutos uma conversa cara-a-cara sem alguém puxar o smartphone do bolso para checar novos posts, recados ou twitts. Ou falando de outra coisa que não sejam as próprias redes sociais. Você entra numa rodinha para conversar mas ao mesmo tempo o interlocutor está conversando com alguém online. Ou, de repente, até se consegue engatar um papo com alguém, até descobrir que o outro não estava prestando atenção em nada. Estava mais preocupado com seu Twitter.

Celulares tocam, smartphones apitam, notificações de redes sociais chegam o tempo todo, em tempo real. Sem cerimônia alguma, o vivente pára o que está fazendo e puxa o aparelho. Na sua frente, passa a ignorará-lo sem qualquer constrangimento!

Talvez quando eu organizar o encontro dos usuários da lista Mundo Sem Fio, eu escolha um restaurante que tenha porões e catacumbas, onde não pegue nenhuma rede de celular. Entre a “velha guarda” das listas não haveria síndrome de webstinência, pois tecnologia móvel não é novidade. Só que, entre os mais jovens, seria uma reclamação atrás da outra.

Eu sei que os tempos são outros e isso não vai mudar. É a moçada quem manda. Só resta me acostumar, não?

P.S.: Quando se começa a suspirar pelos cantos por causa de tempos antigos, na minha mente toca um alarme: cuidado, a idade está chegando. O próximo passo é reunir os amigos para jogar damas (online?) e discutir quem é mais hipocondríaco…

Post to Twitter Postar este artigo no Twitter Post to Delicious Postar no Delicious Post to Facebook Postar no Facebook

Confira também

19 Comentários

(Required)
(Required, will not be published)
Desenvolvido por Agência WX