Como era de se prever, depois do anúncio do iPad começaram a chover tablets, slates e afins. E, com o sucesso do Kindle, os eReaders começaram a se reproduzir como gafanhotos. Mas ao que tudo indica, a briga de verdade ficará mesmo entre Amazon e Apple, pois muito além dos aparelhos, há todo um modelo de negócios por trás, envolvendo a distribuição de conteúdo.
Não consigo enxergar o iPad competindo com o Kindle, eu os enxergo como produtos completamente distintos, para públicos distintos.
Há quem veja desvantagem no fato do Kindle apenas ler livros e ser preto-e-branco. Para quem lê bastante, esse é na verdade o pulo do gato: um dispositivo monotarefa, que usa uma tela com tecnologia que reproduz a sensação de ler um livro de papel. Outra vantagem é a facilidade de compra: a um toque o livro está em suas mãos para leitura imediata. Eu costumo comprar títulos estrangeiros na própria Amazon. Só sinto falta de obras brasileiras. Recentemente, o dono da Livraria Cultura disse que disponibilizaria 150 mil títulos em formatos para eReaders, ainda em março. Espero que entre eles haja títulos nacionais.
Universidades norte-americanas já estão adotando o Kindle para a leitura de seus títulos acadêmicos; bibliotecas estão sendo abastecidas com eBooks. No Brasil, a Unesp começa a trilhar o mesmo caminho.
Contudo, não acredito na morte do livro de papel. Obras de referência, ou que podem ser úteis para minha família, ainda compro no formato tradicional. Que é imbatível nesse sentido: você pode doar ou emprestá-lo para quem e quantas vezes quiser, que editora nenhuma botará a polícia na sua porta. Além disso, o livro de papel é democrático, pode ser arquivado em bibliotecas onde as pessoas não precisam de pré-requisito eletrônico para lê-los.
Quanto ao Kindle, espero que ele continue monotarefa e evolua dentro daquilo que se propõe: leitura de livros digitais.
E o iPad?
Steve Jobs está colocando eBooks à venda na iTunes Store. Mas o iPad é voltado para leitores eventuais: a tela é cansativa para leituras longas. Já era cansativa desde que surgiram leitores para dispositivos móveis. Visualmente, é a mesma coisa que ler na tela de um computador. Só muda o formato, mais confortável, permitindo leitura em qualquer posição.
Há quem queira um leitor de eBooks que também possa fazer outras coisas, e enxergam um convergente como mais vantajoso.
Provedores de conteúdo
Recentemente vimos brigas entre Apple, Amazon e algumas editoras, sobre quanto cobrar pelos títulos digitais. As editoras não só querem o mesmo preço dos livros de papel como também impor regras de distribuição e uso. Diferente de um livro de papel, você não é dono do eBook. Você só tem uma licença para lê-lo.
Está evidente que as editoras não aprenderam nadinha com a indústria fonográfica; terão que passar por toda aquela curva de aprendizado até se renderem aos usuários, reduzindo preços e removendo DRM. Vamos ver quanto tempo isso vai levar.
Quem também está viajando na maionese são os jornais. Eles cobram pela edição Kindle um valor surreal comparado com o que entregam. Assinei o período de testes de 4 deles, brasileiros e estrangeiros, e em todos o conteúdo deixa muito a desejar: é mal escolhido, mal editado e mal diagramado. Alguém precisa explicar aos editores que um jornal na versão para eReader não pode ser igual papel, nem igual internet. É um terceiro formato. Mas isso é assunto para um próximo post…











Então que dizer que é mais confortável ler num kindle?
Mas pela diferença de preços entreos os dois, melhor não comprar o iPad ?
Olá Bia, muito interessante o assunto. Sobre isto ouvi outro dia uma coluna muito interessante do professor Silvio Meira. Se você ainda não ouviu acho que vale a pena conferir:
http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/bits-da-noite/2010/03/02/LIVROS-DE-PAPEL-X-LIVROS-VIRTUAIS.htm
Bia
Será mesmo que a tela do iPad será cansativa para leitura? A Apple costuma prestar bastante atenção com o detalhes, talvez a tecnologia do LCD deles + o controle de brilho torne a leitura de livros confortável no iPad, temos que esperar os primeiros reviews para ter certeza.
Acredito que livros devam ser para sempre. O formato dos e-books do Kindle, só podem ser lidos em Kindle applications. Diferente de um PDF, que mesmo sem ou com Kindle, pode-se ser. Sou a favor de leitura em dispositivos como Kindle, PCs, iPhone, etc. mas sou contra aprisionar nossos livros. Imagine, como poderei emprestar o livro que comprei no formato e-book para um amigo?
Livro precisa durar para sempre, e não deveria, em minha opinião, depender de um dispositivo X,Y,Z.
Com certeza a popularização do Kindle vai diminuir o volume de vendas de livros em papel, mas mesmo com todas suas funcionalidades, de maneira alguma vai substituí-lo.
Buenas! Em minha opinião esse tipo de gadget é pra uma seleta casta de usuários,não tendo o menor valor para a maioria! Qual o custo do gadget,de seus serviços e pra que se destina? Compreendestes?
Entre o ebook e o abook ou podcast prefiro as segundas opções!
Motivo;não me rouba tempo!Quando ouvi teu podcast da CBN estava fazendo
outras coisas e não perdi nada,por isso me registrei para receber no
google reader!Caso precise de ler algo importante conto com o N800 e o E71,não são agradáveis para leituras longas mas para urgência dão conta do recado e não servem só pra leitura!
Concluindo;Em meu ver existe muito modismo nos dias de hj que se for avaliar são totalmente dispensáveis!São “Tertulhas Flacidas para Dormitar Bovino”! Essa é a minha opinião e respeito as opiniões alheias!
Bia, semelhantemente a você, acredito que há espaço para os dois formatos. Isso se os “donos” do conteúdo estiverem dispostos a evoluir o atual paradigma, pois, se não, o modelo hodierno de leitura continuará na frente.
Pessoalmente, eu quero transitar entre os dois modelos.
Não se pode esquecer também, que a leitura envolve muito, mas muito mais do que simplesmente letras e olho. Muitos amantes da leitura tem hábitos que não guardam relação alguma com a visão/olho. Exemplos: Alguns gostam de ler rabiscando com lápis, outros com lapiseira (de diferentes tamanhos), outros gostam de sentir o cheiro do livro (é claro que isso existe!), outros gostam de sentir a gramatura do papel e admirar a arte externa do livro. Resumindo: Da mesma forma que o ato de comer não se resume a língua/comida, o ato de ler não se limita a olho/letras. Sem ser apegado a saudosismos ou defensor de costumes, acredito que muitos leitores compararão a substituição do livro por um ereader, como se fosse a substituição de comida por pílulas.
[]s
chase
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This post was mentioned on Twitter by blogosphera: Kindle, iPad e o mercado editorial http://tinyurl.com/yjt2bsh #blogosphera…
Não tenho um Kindle, mas tenho prefernecia por ele justamente por ser direcionado somente pra leitura. O iPad pra mim até agora é apenas mais um brinquedinho eletrônico, mas… não vamos cuspir pra cima pra não correr o risco de cair na testa.
Tenho um carregador veicular que se transforma em tomada comum, facilita muito as coisas, comprei no shoptime já há bastante tempo.
Bem vindos ao mundo novo, sim o iPad é melhor sim e nada impede que para os que não se adaptem a leitura com ele surja um aplicativo que simule dentro do possível a tela do Kindle. Não se preocupe, não fique achando que comprando um iPad você esta enterrando o livro, pelo contrario você estará incendiando, no bom sentido, o mercado editorial que já esta enlouquecido com as novas possibilidades de faturamento com as interatividades que agora serão possíveis atraindo assim toda a galerinha que hoje esta mais grudada em um mp3 do que a um livro. Já me vejo dando um desses de presente de natal pra gurizada da familia cheio de livros que eu gostaria que eles lessem. Portanto vamos ao iPad sem medos e sem temores por favor, para que as editoras e livrarias se sintam seguras e os titulos se multipliquem em grande quantidade. E também para que o preço dele caia logo…
O que poderia ser uma pseudo concorrência, parece que vai tomar ares de monopólio.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u710253.shtml
Se você não pode contra ele, junte-se a ele… e no fundo o que a Amazon quer é vender livros, onde, como e quando você vai lê-los não importa. Grande inteligência empresarial, não ficaram chorando. Eu pagava pra ver o convite da Apple…
o problema do Kindle? não tem desenvoltura com PDFs (e a maioria dos artigos cientificos). A opção de zoom não existe…
O problema da Amazon? Formato proprietário de livros, o AZW, vc não pode ler em outro e-reader.
o problema do iPAD? Tela com brilho. Para quem lê muito, isso causa ardência nos olhos. Se vcc acha isso irrelevante, então vc não le muito na frente de um monitor/tela iluminada.
Não adianta ler o brilho. Tenho Palm Tx e N810 c/ hacks para controle de luminosidade. Se deixo muito escuro para diminuir o brilho, forço a vista para ler. Se deixo com mais brilho, fica a ardencia nos olhos.
Opções em hardware? outros e-reader que leem PDF e epub (e-reader da sony e do gato sabido, uma livraria nacional)
Opções em livrarias? livrarias que vendam epub, como a saraiva e gato sabido!
P.S.: fui ler o link que os comentaristas postaram e achei essa noticia:
29/03/2010 – 08h34 – Congresso Internacional sobre livro digital começa hoje em SP
http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u713367.shtml
O mais engraçado é justamente o que citei, os padrões ainda em discussão, mas a definição concensual pelo epub:
“Para ela [a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Rosely Boschini], o formato ePub, já utilizado pelos leitores Sony, Nook (Barnes & Noble) e BeBook, entre outros, é o que mais se aproxima desse padrão. O leitor eletrônico mais conhecido, o Kindle, da Amazon, usa outro formato, o AZW.”
Oi Bia!! Espero que esteja bem. Estou adorando os novos textos!
Na minha opinião, o Kindle, os livros em papel e os outros eReaders continuarão no mercado por muito tempo.
Acho que a iPad cria uma nova categoria de livros e não substitui, de imediato, as outras. Assim como o iPhone criou uma nova categoria celulares e dispositivo para games.
Sabe que lembrei hoje de você falando em comprar um iPad para seu pai. Minha mãe, que não opera computador, sabe tudo sobre os apps do iPod touch que dei a ela. É viciada nos joguinhos arcade/puzzle. Tenho instalado para ela apps de receitas, fitness e ela adoraaa! Vasculha tudo, muito mais do que eu!
Então, mamãe é público-alvo da iPad. Pelo menos como “primeiro computador”. Acho que será bem menos traumático que apresentá-la direto ao Mac Os hehe