Review 2 em 1: Motorola Quench x Motorola Flipout

Motorola Flipout Motorola Quench

Decidi fazer o review dos Motorola Flipout (à esquerda) e Motorola Quench num só post por vários motivos: são aparelhos das mesma fabricante, rodam o sistema Android e porque possuem preço e custo-benefício semelhante. O valor sugerido para ambos, desbloqueados e sem plano de operadora atrelado, é de R$ 999.

Mas há várias e sutis diferenças entre ambos, que vão muito além da aparência, e é através delas que você fará sua escolha.

Fiquei com ambos por quase um mês, usando bastante no dia-a-dia, para todas as tarefas típicas de um profissional móvel. E também para lazer, como convém a aparelhos com foco em redes sociais. Eis as minhas impressões:

Aparência e design

O Motorola Quench (foto abaixo) tem uma belíssima tela, grande, brilhante e de boa resolução. Excelente para quem gosta de ler ou usar bastante o navegador. Tem o formato de barra, é bem fino e não possui teclado físico, somente virtual. Sei que muita gente não abre mão de um teclado tradicional. Se esse for o seu caso, terá dificuldade para se habituar. Para quem gosta de personalizar o aparelho, ele vem com duas tampas traseiras em cores diferentes — cinza e vermelho. Na frente, os tradicionais botões home, menu, busca e voltar. No centro um pad sensível ao toque. Serve para rolar a tela com mais rapidez e, ao ser pressionado, funciona como tecla de seleção. Nas laterais, botões de volume e da câmera. Possui conector micro-USB para recarga e conexão com o PC e entrada padrão de 3,5mm para fones de ouvido. Na caixa do produto, vem as 2 capinhas, o fone, o cabo micro-USB, um adaptador de parede e um carregador veicular. Acompanha um cartão microSD de 2GB (mas o aparelho aceita até 32GB).

Motorola Quench

Já o Motorola Flipout (foto abaixo) tem um design mais arrojado. Seria um irmão mais turbinado do MotoCubo. Compacto, fechado ele cabe na palma da mão (e olha que minha mão é pequena) e seu formato de cubo giratório guarda um teclado físico QWERTY. Nas laterais estão os botões de volume e da câmera, mas há uma curiosidade: é difícil se acostumar com eles, pois fechado, eles ficam de um lado; aberto, eles ficam de outro! Abaixo da tela, há os botões home, menu e voltar, que são touch. Também um pouco difíceis de acostumar no início, pois por causa do teclado físico, a gente tem a tendência de querer “apertá-los”. A caixa vem com o mesmo conteúdo do Quench, inclusive o cartão, mas são 3 as capinhas coloridas: lilás, laranja e verde. A semelhança continua no conector de áudio e no mini-USB.

Ao ver as fotos no lançamento, inicialmente eu o achava bizarrão. Mas ao vivo, ele é muito mais bonito do que aparenta. A todas as pessoas a quem mostrei, a impressão foi a mesma.

Motorola Flipout

Android e Motoblur

No uso diário, nota-se que o Flipout é mais ágil que o Quench ao abrir e alternar aplicativos. Mesmo com a possiblidade de se colocar wallpapers animados. O responsável por isso não é necessariamente o hardware ( o processador do Quench é 528 e do Flipout, 600MHz), mas o software: a versão do Android é a 2.1, o que o torna o mais atualizado da família, junto com o Milestone. Além disso, o Motoblur 1.5 também dá um senhor upgrade.

Muita gente fica equivocada ao tentar definir o que é o Motoblur. Não é o sistema operacional do aparelho, tampouco é o nome do celular ou da linha. Trata-se de uma interface criada pela Motorola, em que você fica sempre online em todas as redes sociais e serviços que usa, como Orkut, Facebook, Twitter, Last.fm e outras, além dos seus emails e conta do Google. Criando uma conta Motoblur, toda vez que se fizer login todos os seus serviços são carregados, o que facilita bastante se trocar de celular. Um ponto baixo do Blur é que as redes sociais apresentam apenas as configurações básicas. Assim, se você for um usuário avançado de Twitter, por exemplo, verá que é necessário instalar um software dedicado, como o Seesmic.

Nessa nova versão do Blur, é possível ajeitar o tamanho das janelinhas (widgets) apenas arrastando e soltando com o dedo, algo muito bem-vindo num aparelho de tela reduzida como o Flipout. Também se ganha áreas de trabalho extras. Mas os melhores mesmo são o controlador de tráfego da internet (muito útil para quem tem pacotes limitados de dados) e a possibilidade de transformá-lo num hotspot wifi! O Quench não tem nada disso.

Vale lembrar que muitos apps do Android Market estão exigindo Android 2.0 em diante para rodar, por exemplo, o Kindle. O Quench vem com a ultrapassada versão 1.5, que não conta com nenhuma das novidades citadas.

De resto, ambos vem com as configurações essenciais de um celular conectado: 3G, wifi, GPS, rádio FM, câmera com geo-tagging e bluetooth, que funciona com fones bluetooth estéreo. Todavia, ao contrário do Flipout, o Quench não permite troca de arquivos por bluetooth, mas isso pode ser contornado instalando programinhas grátis do Android Market, como o Bluetooth Transfer. Ambos vem com 512 MB de memória interna.

Tela

A tela do Quench dá um banho na do Flipout. Confortável, responsiva, grande e de ótima resolução. A do Flipout, além de menor, tem resolução inferior. Ambos possuem zoom em pinça (pinch-to-zoom). Tenho que confessar que senti muito mais gosto em navegar na web, ler notícias e ebooks pelo Quench do que pelo Flipout, no qual me limitei a usar emails e redes sociais. Abrir a homepage de um grande portal no Flipout dá vontade de chorar! Nem o Flash Lite (para ver animações em Flash) desfaz a má impressão.

Basta vocês mesmo verem, na imagem abaixo, como a diferença é gritante. Abri a mesma tela em ambos (um leitor de feeds chamado NewsRob). Usar a tela na horizontal no Quench também ajuda em determinadas tarefas. Ambos possuem acelerômetro.

Motorola Quench

Telas Flipout x Quench

Clique nas fotos para vê-las ampliadas.

Teclado

No meu entender, o segundo fator crítico na hora da escolha entre o Quench e o Flipout. Aqui, não há teclado “melhor” ou “pior”, apenas o seu gosto e habilidade manual contam. O teclado físico do Flipout (foto abaixo) é delicioso de usar, com botões confortáveis e espaçoso, além de uma super bem-vinda fileira extra com números! Embaixo há um pad direcional um pouco esquisito.

Motorola Flipout

O teclado virtual do Quench (foto abaixo) segue o mesmo padrão dos Androids. Se compararmos com o do iPhone, é um pouco menor e mais estreito. Se você não tem problemas com teclados virtuais, basta alguns dias de uso para se habituar. A tela capacitiva ajuda bastante quem tem dedos mais gordinhos.

Motorola Quench

Câmera

Por fim, o terceiro fator crucial na comparação entre ambos. Mais uma vez, o Quench dá um banho no Flipout. Sua câmera, de 5 MP com autofoco, deixa no chinelo a de 3.1 sem autofoco do Flipout. Os resultados dizem por eles mesmos. No meu Flickr coloquei várias fotos feitas por ambos. Veja aqui as fotos feitas pelo Quench e aqui as do Flipout. O resultado mais evidente é nas fotos feitas de perto. As do Flipout sempre saem muito borradas. Veja uma amostra abaixo:

[fotos feitas com o Motorola Quench] [fotos feitas com o Motorola Flipout]

O Flipout traz um extra da Kodak, o Perfect Touch, que tem a intenção de fazer ajustes nas fotos. Só que, no fim das contas, não faz grande coisa: se foto original é ruim, não há muito o que salvar.

Bateria e multimídia

Ambos se saem muito bem executando música e vídeos, mas evidentemente, ver vídeos é muito melhor na tela privilegiada do Quench. Eles vem com o Connected Music Player como aplicativo padrão de reprodução de músicas e uma função adicional que as identifica. Como os conhecidos MotoID e Shazam.

Em termos de autonomia, já sabemos que, por causa do “always-on” dos Androids com Motoblur, o desempenho não é lá grande coisa. Apesar da tela maior e mais brilhante, o Quench se saiu melhor que o Flipout. Ao contrário do irmão quadrado, ele consegue chegar até o fim do dia com um restinho de bateria.

Quem for usar bastante 3G, em ambos os casos é bom levar o carregador na bolsa, ou tirar proveito do carregador veicular que os acompanha. Será bem útil.

Considerações finais

Uma escolha complicada, não? Eu considero assim: se você é nerd, gosta sempre de ter a versão mais atualizada do sistema, e pretende lotar seu aparelho de aplicativos do Android Market, a escolha é o Flipout. “Heavy-users” priorizam o sistema operacional. Contudo, se você se enquadra mais no perfil de leigo antenado, preza mais a qualidade do hardware, em especial a tela e a câmera, e pretende navegar e ler bastante na web, a escolha é o Quench.

Veja todas as fotos do Motorola Flipout no meu Flickr

Veja todas as fotos do Motorola Quench no meu Flickr

Veja o Motorola Quench no site do Submarino

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