Seguindo a premissa de “turbinar” seus eReaders, a Amazon estreou essa semana os 2 primeiros aplicativos para a família Kindle — na verdade, 2 jogos. Ambos estão disponíveis para download gratuitamente em sua loja virtual.
Os dois jogos chamam-se Shuffled Row e Every Word. Ainda que eu ache estranho, por causa da lentidão do Kindle e sua tela monocromática, são joguinhos simples e educativos. A proposta é a formação de palavras a partir de letras (em inglês, claro). Algo parecido com o clássico Scrabble. Ou o “Roletrando” do Silvio Santos, como preferirem…
Para algumas pessoas, a iniciativa pode parecer uma resposta à concorrência do iPad e outros tablets que estão chegando. Para outros, é uma idéia bem-vinda para tornar seu leitor mais divertido. Eu, pessoalmente, acho que é algo que descaracteriza um eReader, uma vez que ele não é um aparelho convergente como um tablet, mas dedicado. Eu preferiria que, ao invés disso, a Amazon investisse em melhorias na função original do dispositivos. Que tal mais dicionários suportando mais idiomas? Ou melhor suporte a PDFs, com anotações e marca-textos? Ou melhor interação com os apps de Kindle para Mac, PC e smartphones?
Em todo o caso, ninguém é obrigado a instalar os aplicativos. É apenas aquele “plus”, um opcional para agradar os milhões de donos de Kindle.
O que me preocupa com a descaracterização dos eReaders é que ele traz outra pedra no sapato dos brasileiros. Depois de muita briga, já conseguimos trazer do exterior eReaders, pois a Receita está finalmente começando a compreender que um eReader é um aparelho dedicado à leitura de livros digitais. Ou seja, é um livro de papel, apenas com suporte diferente do papel. Mas é equiparado a um livro desde que só faça isso. Caso contrário, é um computador.
O iPad é um computador, que tem como uma de suas funções ler livros digitais. Volta e meia vem gente aqui no blog reclamar que tela em preto e branco é um atraso, etc. São pessoas que ainda não entenderam a proposta de um leitor com e-ink. Quem ama ler sabe como é deliciosa uma tela que simula de verdade o papel. Trata-se da textura, do conforto visual, e não da “simulação” de um livro, com pixels de luz, como faz o iPad. O iBooks é um ótimo aplicativo, sem dúvida, mas funciona melhor com material educativo ou para leitores ocasionais.
Como é que ficará o Kindle? Primeiro são os jogos… depois virão emails… redes sociais… e aí?
Positivo Alfa
O Positivo Alfa já está à venda na Livraria Cultura, por R$ 699. Em breve receberei um e o resenharei, aguardem. Enquanto isso, o leitor Astrowar, assim que recebeu o dele, já nos escreveu contando suas primeiras impressões:
Recebi o meu ontem e estou muito satisfeito. O preço é meio salgado. Só achei um pouco lento para passar páginas em arquivos complexos e cheios de figuras. O sensor de orientação também demora para responder quando giramos. Senti falta de um controle de contraste. O zoom não centraliza a tela. Isso é muito chato ao ler páginas com margens muito grandes.
Ele tem uma opção para atualizar o firmware, o que é muito bom, pois mostra que a Positivo pode corrigir estes pequenos detalhes.
Ele é realmente leve e com peso bem equilibrado, a parte de trás é cheia de ranhuras que aumentam a aderência. A resolução da tela é muito boa, não dá para ver os pixels isolados a olho nu. Acho que o kindle tambem é assim. O kernel já tem suporte para rede, pois no meu aparece o numero MAC, mas é zero, já que não tem dispositivo wifi instalado.
Observação da Bia: a Positivo vai lançar uma versão com wifi até o fim do ano.
A saída de fone de ouvido está energizada, plugando nela ouvimos um estalo. Isso mostra que o circuito está operando, só precisa de uma atualização do software.
Devemos nos lembrar que é um tecnologia muito nova e consequentemente cara. Acredito que o preço baixe em um ano para algo na faixa dos R$ 500. Se conseguirem insenção de impostos pode cair para R$ 400 ou menos. Embora o preço seja maior que o Kindle, não podemos esquecer dos subsídios da Amazon, pois ele só aceita livros da Amazon e os livros digitais dela são caros. Ela tem total controle. O alfa não tem esse controle. O mesmo ocorre na indústria de games, onde os fabricantes levam prejuízo com o console mas lucram os os jogos.
O Alfa não tem controle sobre o que vai ser colocado nele, pode-se baixar um PDF de qualquer lugar e ler sem problemas. Isso impede que as livrarias sigam o mesmo modelo de negócios da Amazon ou da Apple.









Achei o Alfa caro, apesar de todas as justificativas. Se para usuário final o Kindle chega por R$ 520,00 (e com WiFi), ora, que a Positivo faça algo para entregar um produto aparentemente inferior por um preço mais convidativo. Como já comentei anteriormente, o Alfa me parece algo para pegar tiozão que gosta de coisas hightech mas acha que “kindle” é quindim em inglês, mais ou menos como o Playstation 3 brasileiro de R$ 2 mil.
Sobre os formatos, o Alfa lê ePub? Se sim, isso aí é um grande diferencial em relação ao Kindle — que lê não só *.azw, mas também *.pdf, *.mobi e outros formatos mais populares.
[]‘s!
Sim, lê ePub, inclusive os que terão DRM. Com a carga tributária dos eletrônicos brasileiros, impossível baratear mais os eReaders…
Outra vantagem do Alfa é suporte tecnico brasileiro. Mas enquanto o preço não abaixar, o Kindle ainda fica mais atrativo. Outra coisa legal é que ele suporta epub tb. Fico na espera do review, gostaria de saber principalmente a velocidade dele em relação ao Kindle.
Oi Bia,
Se você for pensar já existem jogos em papel hoje, como por exemplo palavras cruzadas, Sudoku, entre outros. Então pra mim esse tipo de jogo que o Kindle oferece hoje não o descaracteriza totalmente como um substituto ao papel.
Já sobre o Alfa, fico com um pé atrás, até porque com os mesmos 700 reais dá pra comprar um Kindle com Wifi + 3G, e com todo o suporte da comunidade do Kindle, que é bastante significativo.
Como ponto positivo do Alfa, talvez o único, é a touchscreen, porém já li que isso prejudica o contraste. Aliás você sabe que tipo de tela é usada no Alfa? É a mesma usada no Kindle 3 e novo DX? Ou é a do Kindle 2?
Estou ansioso para ver sua resenha sobre ele, e principalmente a comparação com o Kindle.
Lembrando que um dos recursos do Kindle 3 é a anotação em PDF, o que eu também acho extremamente importante.
Eu ainda prefiro o Kindle porque ele já está na terceira geração, quarta se contar o DX, e a Amazon já teve muito tempo para consertar os problemas das primeiras versões. Já esse Alfa é uma primeira versão, ou seja, já deu pra perceber pela resenha que foram cometidos diversos erros típicos de um novo produto.
Mas enfim, eu estava esperando o Alfa sair, mas a impressão inicial não foi boa, estou muito mais inclinado a comprar um Kindle 3 mesmo.
Abraços,
Ricardo
Muito bem pensado, Ricardo.
Essa mania da industria de tecnologia de descaracterizar um produto perfeito só para se aproximar de outro mais “muderno” é que incomoda. O iPad tem objetivos e nichos totalmente diferentes; querer transformar um aparelho como o Kindle (ou qualquer outro e-reader) num tablet multicolorido e multifuncional vai terminar prejudicando a função para qual ele foi criado: ler!
Um e-reader é meu novo sonho de consumo, uma mão na roda para minha profissão (professor universitário). Se eu já me viro bem com um simples Nokia N800,atolado de textos (que diminuiu sensivelmente o peso na minha mochila), um Alfa ou similar seria o paraíso.
Mas, prá mim, nada de joguinhos, acesso a redes sociais e blá blá blá.
Ansioso para ler sua análise do Alfa, mas a do Astrowar já dá uma boa idéia da capacidade e recursos do aparelho. Eu, por enquanto, prefiro esperar por uma versão mais “turbinada”, com a esperança de um preço mais em conta.
Concordo com o Ricardo Smania, por enquanto o Kindle pode se assemelhar aos jornais, com suas cruzadinhas e Sudoku.
O Kindle oferece uma experiência solitária, seja a leitura de textos ou estes joguinhos (hm, só não sei onde entram comentários em blogs através de seu web browser…).
Isto ajuda a focar, diferente de um produto multiuso. Agora, se entrar emails e redes sociais, vai desvirtuar realmente o bichinho.
Poxa, falar que os livros na amazon são caros é novidade para mim.
Nunca vi um livro que eu quisesse comprar aqui no Brasil que não estivesse mais barato no Amazon.
Tenho muitos livros já em PRC então pra mim o Kindle leva vantagem.
Agora, para esses joguinhos casuais já existe celular. Preferia que não levassem o kindle para esse lado…
Nesse ponto eu concordo contigo, Francisco, e discordo do Astrowar.
Tenho comprado títulos originais logo que são lançados, e até agora não paguei mais que 10 dólares em nenhum. Quando eles são lançados no Brasil, a média de preço deles na livrarias é de R$ 40.
Mas sinto falta dos títulos brasileiros, ainda tenho comprado obras em papel. Espero que o Alfa dê um gás nas editoras e varejistas para finalmente fazer decolar o mercado editorial digital no país.
Estou pensando em comprar um NOOK. Alguém já adquiriu este?
Vi que a Saraiva e a Livraria Cultura lançaram ebooks e que este aparelho era compatível.
É fato que esses joguinhos só prejudicam que a justiça e a receita federal brasileira considerem o kindle um “livro”, e retirem de vez todos os impostos que recaem sobre o aparelho. Por outro lado o preço de lançamento do Alfa é caro visto que até mesmo o kindle 3 com impostos sai R$200,00 reais mais caro. Uma solução seria a positivo fazer parcerias com editoras ou mesmo com o governo, afim de baixar o valor do mesmo, porque até agora a compra não se justifica.
Bia, como ja disse sou um applemaniaco!?? Como é sua opinião referente ao IPAD? ele é um bom leitor de e-book? eu axo que sim kkkk
eu axo que falta em alguns eReads a opção de tela colorida! e uma interface mais dinamica!
ainda estamos na fase em que apenas os early-adopter compram, fazem um feedback pra a empresa soltar as atualizações de firmware…
aí será hora de comprar o Alfa.