Telegram e o “WhatsappGate”

Numa decisão completamente equivocada e autoritária, um juiz determinou a suspensão do Whatsapp em todo o território nacional por 48 horas. A decisão pegou os brasileiros de surpresa, afinal, trata-se do aplicativo mais usado do país, alcançando 93% dos usuários de smartphones. A medida foi uma punição ao Facebook (dono do WhatsApp) por não ter quebrado o sigilo de dados de criminosos conforme solicitado por um inquérito policial há 2 meses.

O recebimento da determinação judicial foi confirmado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal, o SindiTelebrasil. Tal sindicato representa as operadoras Vivo, Claro, Tim, Oi, Sercomtel e Algar. Isso explica o fato de alguns clientes de Telecoms não sindicalizadas não terem sido afetados pelo bloqueio do Whatsapp.

Cerca de 12 horas depois do início do bloqueio, o serviço foi restabelecido graças à ordem de um desembargador do TJ-SP. Mas todo esse período fora do ar foi suficiente para que usuários em pânico buscassem alternativas. Embora boa parte dos usuários use o app para bater papo com amigos e familiares, muita gente (e empresas) o utilizam para manter contato com clientes. Até entregador de gás tem usado o Whatsapp para recolher pedidos. Eu mesma o utilizo profissionalemente para manter contato com clientes, alunos e assessorias de imprensa. Hoje, boa parte das encomendas de trabalho em consultoria chegam até mim por ele.

Na verdade, tenho uma relação conturbada com o Whatsapp. Antes, eu o mantinha em minha linha de Curitiba. Além dos contatos de trabalho, muita gente tinha esse número — lojas, salões de beleza, manicures. Logo começou a chegar o spam, principalmente de lojas. Em seguida, o inferno dos grupos. Incomoda-me absurdamente não haver uma solicitação de autorização para grupos: basta alguém ter seu número e adicioná-lo. Colocavam-me num grupo, logo em seguida eu saía. Um belo dia acordei e levei um susto enorme ao constatar mais de 5 mil mensagens de um grupo de revendedoras de Avon e Mary Kay que não sei de onde surgiu. Foi a gota d’água.

Apaguei minha conta no 041 e criei outra no 011, onde efetivamente só tenho contatos profissionais. Para a vida pessoal e amigos, deixei o Telegram no 041.

No início foi um pouco complicado convencer algumas pessoas a instalar o Telegram. Não sei o porquê da resistência, afinal, Whatsapp e Telegram não são excludentes. Basta manter ambos no aparelho. Depois de um tempo, algumas pessoas que não quiseram instalar cederam, pois só conseguiam entrar em contato comigo gastando dimdim com SMS.

Meu trígono de comunicação ficou fechado em Skype (que uso muito para conferências em voz e vídeo e para gravar entrevistas e podcasts), Telegram para contatos em geral e Whatsapp para trabalho. Alcancei a paz!

Com a polêmica do “WhastappGate”, muita gente se viu obrigada a recorrer a outros aplicativos e o Telegram foi o campeão. Em pouco tempo algumas pessoas notaram a superioridade do concorrente e decidiram permanecer nele. Se o bloqueio tivesse durado as 48 horas, com certeza o volume de gente que permaneceria seria bem maior.

telegram-whatsapp

Eis os motivos de eu preferir o Telegram:

1. Com uma única conta (leia-se: número) eu posso usá-lo em diferentes dispositivos móveis e até mesmo em tablets. Para usar no computador, há versões PC, Mac ou Linux. Sem essa de abrir sessão no navegador e ficar na mesma rede que o celular. Embora também dê para usar assim. Tem ainda versões para iOS, Android, Windows Phone.

2. Consigo transferir arquivos para meus contatos, e não só áudio, vídeo, fotos e localização. Uso muito para enviar documentos, PDFs, arquivos zipados, etc.

3. Consigo mandar coisas para mim mesma entre os dispositivos, graças a um grupo que criei cuja única integrante sou eu mesma!

4. O Telegram é totalmente gratuito. O WhatsApp custa US$ 0,99 depois de um ano de uso.

5. Os grupos são mais organizados. Você pode citar uma pessoa na mensagem para que ela saiba que aquele recado é especificamente para ela. E as repostas podem aparecer abaixo do recado original.

6. Player embutido. Assisto conteúdo do YouTube, Vimeo ou Soundcloud sem sair do app.

7. Leveza e rapidez.

8. Maior nível de segurança. Conversas criptografadas e um nível de segurança ainda maior no modo “chat secreto” (que não funciona em múltiplos dispositivos, justamente para que fique mais restrito)

Verdade que o Telegram não tem o recurso de chamadas de voz como o Whatsapp. Mas pouca gente usa devido às nossas péssimas conexões de internet. E já tinha o Skype, que uso há mais de uma década para isso.

Siga o canal Garota Sem Fio no Telegram!

Já que tem muita gente entrando para o Telegram, aproveito para convidar vocês para seguirem o meu canal. Essa é outra coisa bacana do aplicativo: é possível criar “canais” que funcionam como listas de distribuição. No meu caso, publico notícias, posts dos blogs, comentários das redes sociais, podcasts, dicas de apps de produtividade móvel. Até então meu canal estava restrito a um grupo pequeno de pessoas — eu o criei há cerca de 2 meses e estava explorando a ferramenta. Neste momento, estou tornando-o público. Para assinar, basta clicar no link: telegram.me/garotasemfio e abri-lo no app do Telegram.

📱postado via Zenfone 2 + wifi

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