Navegadores alternativos (mais: os polêmicos adblockers)

Qual navegador você usa em seu smartphone ou tablet? O que vem com ele? Bem, no iPhone e no iPad não tenho ressalvas ao Safari. Acho-o ótimo, e embora tenha experimentado alternativas como o Dolphin e o Opera, sempre acabava voltando ao original.

Já no Android, o papo muda. O navegador nativo vem junto com o sistema operacional, que, dependendo do aparelho, jamais receberá atualizações, tornando sua navegação bastante insegura. Felizmente a maioria dos usuários usa hoje o Chrome, que oferece uma experiência bastante completa, com sincronismo com o navegador do PC e atualizações regulares. Contudo, muita gente reclama que ele é pesado, lento e costuma travar quando em uso com outros aplicativos simultaneamente. A grande verdade é que, quem não tem um aparelho com hardware robusto, sofre mais. Há ainda a questão da privacidade, o que faz muita gente torcer o nariz para o Google. Você já entrega sua alma à empresa e ainda dar de lambuja seus dados móveis e localização?

Neste post falarei dos navegadores alternativos que testei nos últimos meses, tanto em Android quanto iPhone.

Opera e OperaMax: combo favorito

Sou uma grande fã do Opera, desde os tempos do Symbian. É meu navegador móvel favorito desde sempre. E ainda instalei muito o Opera Mini (em Java) em celulares comuns, há mais de década!

Penou um pouco para se adaptar aos novos tempos, mas hoje sem dúvida superou os problemas. Experimentei no iOS, mas não gostei. A impressão que eu tenho é que a Apple sabota tudo o que não é nativo, ou que realmente o ecossistema não está pronto para encarar qualquer coisa que não seja o Safari.

Porém, no Android, a experiência com o Opera atual é ótima. Já cheguei a ter 20 abas abertas sem comprometer o desempenho e a estética. A ferramenta de economia de dados é ótima para poupar nossos minguados pacotes 3G e 4G.

Mas para a alegria ficar completa, é possível instalar também o OperaMax, uma VPN que racionaliza o uso de dados em outros apps, como o de redes sociais. O consumo de internet móvel no Instagram, por exemplo, pode ser reduzido em 40%.

opera

Dolphin: bonito e funcional

Conheci-o há muito tempo, no iOS. Na época, queria uma opção que me permitisse capturar coisas para o Evernote e o Safari ainda não compartilhava dados com outros apps. A solução era usar o Dolphin para iOS , que permitia extensões. Hoje, seu grande trunfo continua o mesmo. É um navegador muito bonito, de cara clean. Larguei dele no iOS, mas no Android o Dolphin é minha segunda opção: eu o mantenho instalado no meu dispositivo. Tem mais privacidade, conta em nuvem e gosto muito das extensões para Pocket e a que transforma páginas web em PDF.

dolphin

Orbot, Orweb e Orfox: para os geeks

Se você é fissurado em privacidade ou temas ligados à deep web, já deve ter ouvido falar do projeto Tor. As versões mobile mais conhecidas são o navegador Orweb e o aplicativo de proxy Orbot, pré-requsito para navegação anônima no smartphone. Mais recentemente surgiu também o Orfox, baseado no código do Firefox. Ainda é um projeto em desenvolvimento e o próprio Orfox é um app bem experimental, sem muitos recursos. Mas vale a pena todo curioso em tecnologia conhecer.

tor

UC Browser: invasão chinesa

Soube do chinês UC Browser através de um release de imprensa, falando de números gigantes de presença em celulares e da chegada oficial ao Brasil. Seu dono é ninguém menos que o Alibaba. O marketing em cima do browser é gigante, talvez você já tenha topado com ele por aí. É aquele do esquilinho laranja.

Seu grande trunfo é uma ferramenta que bloqueia anúncios maliciosos — aqueles do tipo “seu celular foi infectado por vírus” e um player de vídeo que reproduz o arquivo durante o download. Movida pela curiosidade, instalei.

Travou algumas vezes e adicionou uma medonha barra de atalhos na cortina de notificações do Android, como vocês podem ver no print abaixo. Lembrei daquelas “toolbars” dos anos 90 que Yahoo, AOL e outras companhias instalavam “sem querer querendo” no Internet Explorer. É possível desativá-la, mas preferi desinstalar o app. Reconheço, contudo, que deve agradar aos brasileiros: na tela inicial, há diversos atalhos para sites populares, memes, futebol, imagens e piadas do dia. Dispenso.

ec-browser

CM Browser: para o smartphone pé-de-boi

Ficarei devendo os prints deste navegador porque lembrei de acrescentá-lo ao post de última hora. Na verdade, eu o instalei num aparelho de um cliente, um Android bem básico modelo 2013 ou 2014. O aparelho tinha só 4 GB de espaço interno, 512 MB de RAM e, como se podia imaginar, travou todo e não tinha espaço para mais nada. Fiz uma limpeza e desativei o Chrome, colocando no lugar o CM Browser. O cliente amou, teve até a impressão que sua internet estava mais rápida — mesmo estando no seu wifi de sempre! Na verdade, este navegador é que é levíssimo, o software tem apenas 1,7 MB. Possui uma função de tela cheia perfeita para Androids mais antigos, de tela pequena.

Se sua tia vive reclamando de “internet lerda” naquele smartphone pé-de-boi dela, faça uma caridade: instale o CM Browser.

Os polêmicos “adblockers”

Vamos agora pisar em terreno minado…

Há na Play Store uma série de navegadores que bloqueiam anúncios. A polêmica não é nova: eles existem como extensões de navegadores para computadores há um bom tempo. Produtores de conteúdo os odeiam como todas as forças, afinal, uma boa fatia da receita de blogs e portais jornalísticos vem de anúncios. Muitos usuários compreendem isso e desativam adblockers em seus sites favoritos. Outros, porém, se queixam de anúncios “abusivos”: páginas com desequilíbrio entre a quantidade (e qualidade) do conteúdo em relação aos anúncios, pop-ups que tampam quase toda a tela e até anúncios em vídeo que devoram dados e dão aquele susto com som alto. Certa vez comentei com um amigo que trabalhava num portal para dar um jeito num pop-up chato da home, que tinha um “X” para fechá-lo tão pequeno que numa tela touch de 5 polegadas acertar o alvo era quase impossível. A resposta? Era justamente isso que o editor mais amava: os cliques por engano dos pobres coitados que erravam a mira na hora de fechar a maldita janela!

Muitos portais estão espertos e já adaptaram suas páginas para ser à prova de adblockers. Na imagem abaixo, usando o navegador Adblock da Eyeo para Android, dá para notar perfeitamente que a opção fica desabilitada em certos sites:

adblocker

A guerra ganhou um novo capítulo quando a Apple anunciou que a versão 9 do iOS receberia uma ferramenta bloqueadora de anúncios no Safari. Todos os publishers se apavoraram, pois tudo o que a empresa faz logo vira tendência nos concorrentes. E não deu outra: a Asus já avisou que nas versões futuras de seus aparelhos o navegador nativo virá com bloqueador de anúncios também.

E vocês, o que acham de adblockers? Usam? E navegadores móveis, já experimentaram algum alternativo? Contem suas experiências!

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4 Comments

  • Em 2015.12.30 09:01, RMPArquimago disse:

    pode ter propaganda, mas nada invasivo ou safo como o botão minúsculo.

    • Em 2015.12.30 15:02, Marcelo disse:

      Curto bastante o Ópera também, utilizava ele e o Dolphin no Motorola Razer D1, agora que mudei para o Zenfone 5, utilizo principalmente o Chrome, mas você me lembrou de instalar o Ópera, muito obrigado.

      • Em 2015.12.31 00:08, Delmary Andrade disse:

        Hoje, o chrome resolveu não funcionar no meu note… Atualizei, mas simplesmente não quer funcionar. Resolvi instalar o Opera. E não é que ele é mais simples e leve… Gostei. Obrigada Bia. ;D

        • Em 2016.01.05 08:54, Richardson disse:

          Estou aguardando o Chrome efetivamente economizar dados, porque atualmente é quase que fachada esse recurso. rsrs

          O Dolphin tem versão mini, mais leve (óbvio).

          Pegando a onda do Dolphin existe o Boat browser, que achei bastante parecido na época em que testei. Também com versão mini.

          Na prática hoje em dia eu utilizo o Chrome no “modo fake de economia” para uso geral, e apelo para o Opera Mini que tem economia real (e visível) quando preciso…né dona Vivo!

          O UC Browser testei e larguei de mão logo que rastreei o tráfego dele indo lá para China ou sei lá onde, nem lembro, veio nativo com uma custom ROM do Windows Mobile.

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