Papel x digital: como gerencio minhas anotações

Quando apareço numa coletiva de imprensa com um bloco de papel e caneta, quem me reconhece logo aponta o dedo zombando: “que é aquilo? Bia Kunze, a Garota SEM FIO, usando papel e caneta?”

Mal sabem eles que a suposta Garota Sem Fio “de araque” é digital até na hora de usar papel. Em algumas circunstâncias, essa é a melhor forma de capturar informações, esquematizar projetos e desenvolver idéias.

Neste post, enumero as ferramentas que uso para administrar minhas anotações. Conheçam meus melhores amigos analógicos que tem os 2 pés no digital!

Ler Mais »

Ao vivo, toda sexta às 9h: Bia Kunze no canal Vida Moderna

A partir de hoje, todas as sextas-feiras, estarei ao vivo em vídeo no canal Vida Moderna, dando dicas para melhorar nossa vidinha hi-tech.

No programa de hoje expliquei como gerencio minhas anotações, no papel e digital. Ainda hoje postarei aqui no blog o vídeo, junto com um texto com informações complementares e fotos. Sei que há muito tempo estava devendo para vocês isso, em especial, reviews da Moleskine para Evernote e da Livescribe!

Quem não pode acompanhar ao vivo, poderá ver o vídeo depois no canal Vida Moderna no YouTube. Mas ao vivo, há a possibilidade de mandar perguntas. Um ou dois dias antes do show ao vivo, soltarei a pauta do próximo programa nas redes sociais, onde perguntas já poderão ser enviadas.

Hoje foi o primeiro ao vivo, mas já havia gravado 2 episódios: um sobre relações humanas e tecnologia, e outro sobre as mudanças do iOS7. Seguem abaixo.

Telefone fixo e celular no mesmo aparelho: usando SIP no Android

Uma das funções que mais uso (e adoro) no meu Galaxy S4 é o SIP nativo.

Traduzindo para os leigos: eu assino o serviço de VoIP Vono, da GVT, para minhas 2 linhas profissionais, uma com DDD 11 e outra com DDD 41. Assim, tenho minhas linhas “fixas” funcionando ao mesmo tempo com minha linha móvel em um único aparelho. É como se eu pudesse levar os telefones do meu escritório sempre comigo, e meus clientes/pacientes conseguem sempre me achar.

SIP-Galaxy-S4

O leitor Reinaldo Fernandes Júnior me procurou para tirar uma dúvida, justamente sobre SIP:

Gostaria de saber se ainda vale a pena comprar um Nokia E5. Sei que o Symbian já morreu, mas é que a função que eu estou priorizando em um telefone celular seria o SIP nativo, e não gostaria de um aparelho muito caro.

Reinaldo,

Os Nokias com Symbian realmente são bastante saudosos em muitas coisas, principalmente pelo SIP! Mas não compre um smartphone obsoleto só por causa disso…

Pouca gente sabe, mas todos os Androids a partir da versão 4.0 (Ice Cream Sandwich) incluem nativamente um protocolo SIP completo. Pesquisei na internet e parece que alguns modelos 2.3 também. O que significa que podem receber e fazer chamadas pela mesma interface das chamadas móveis. Ou seja, as linhas VoIP funcionam junto com o aplicativo Telefone do Android.

Bem, pelo menos deveria ser assim. Tem alguns probleminhas:

1. Algumas operadoras e fabricantes removem o SIP de certos modelos de aparelhos. Nos EUA isso é bastante comum, afinal, trata-se facilitar a concorrência. No Brasil, não. Eu testo muitos Androids sempre, e os modelos vendidos debloqueados no varejo costumam vir com SIP. Não sei se isso acontece nos dispositivos vendidos pelas operadoras. Mas o meu Galaxy S4, que é customizado pela Vivo, possui a função.

2. Em alguns aparelhos com o protocolo SIP, a operadora bloqueia as chamadas sobre 3G, funcionando apenas pelo wifi. Não é o caso do Brasil, creio, mas é preciso verificar um a um nas operadoras antes de comprá-los. Mais uma vez, o meu S4 da Vivo está liberado para VoIP sobre 3G. Aliás, um dos motivos para eu ter assinado o 4G é justamente melhorar a qualidade nas chamadas! E tem funcionado super bem — onde tem 4G, lógico.

Portanto, os aparelhos da família Nexus, que vem com Android puro, sem customizações, vem todos com o SIP integrado. Nos demais, é preciso verificar.

Como verificar se um aparelho Android possui SIP:

No ícone das configurações, procure por “Meu Dispositivo” e em seguida, “Chamadas”. Role a tela até o fim. Lá você deverá encontrar, no último item do menu, a opção “Chamadas de Internet”. Por ali é possível configurar suas contas VoIP (sim, dá para usar mais de uma!) e definir se quer usá-la como padrão ou não para suas chamadas.

sip-android-1 sip-android-2

Com a opcão selecionada acima, “perguntar para cada chamada”, toda vez que faço uma ligação com meu celular, ele pergunta antes se quero usar minha linha móvel ou VoIP. Muito prático.

E no iPhone?

A própria Vono tem um app tanto para iOS quanto Android. Mas o app é horroroso! Além de não funcionar direito, exige que sempre estja aberto caso você tenha um número de telefone e precise estar sempre apto a receber chamadas. Se você só quer telefonar de vez em quando, quebra um galho.

Vários outros serviços VoIP possuem seus próprios apps, ou há mesmo apps que suportem o protocolo SIP. Testei uma infinidade deles, e todos tinham os mesmos problemas: eram inconstantes.

Agora com o S4, tenho a sensação que voltei aos tempos do Symbian. Tinha até esquecido como era bom ter SIP nativo num smartphone!

O que você precisa saber antes de comprar seu primeiro Android

mm5145-190813-smartphone-ul

Quem vai comprar um Android de entrada ou intermediário hoje em dia normalmente fica confuso. São muitos modelos, com as configurações mais díspares possíveis, e preços idem. Se nerds já ficam indecisos entre os topos de linha, o que dizer dos leigos, que se perdem no meio de tanta informação difícil de compreender?

É sempre bom pesquisar na web a opinião de usuários, sobre bateria, qualidade da tela, desempenho, etc. Contudo, o leigo não presta muita atenção em “nerdices” como a versão do sistema operacional. “Oras, manda email, acessa redes sociais, tá bom, né? Posso baixar joguinhos depois na loja de aplicativos e fim de papo.”

Não é bem assim. Tenho recebido muitos emails de usuários antigos, ou relativamente recentes, com versões de Android que não suportam mais diversos aplicativos atualizados. As queixas mais comuns são apps populares como o Instagram e alguns jogos da moda. Uma rápida pesquisa em varejistas populares bastou para eu verificar que ainda há uma imensa quantidade de modelos Android 2.3 à venda. E, sendo mais baratos, vendem muito! Tanto que há vários Androids 2.3 nas listas dos mais vendidos!

Assim, se você está comprando seu primeiro Android, pense na longevidade de seu dispositivo. Quanto tempo você quer ficar com ele? Aqui no Brasil, a média de permanência de um usuário com um dispositivo móvel gira em torno de 16 meses (no mundo, é por volta de 12 meses). Imagine que chato: você com um celular novo em mãos, recebe uma atualização da sua rede social favorita e, de repente, as ferramentas mais legais não funcionarão!

Antigamente os usuários leigos não davam muita bola para apps, ficavam restritos apenas ao que vinha pré-instalado no aparelho. As coisas mudaram. Assim, se eu fosse dar uma única dica hoje, seria: verifique qual versão do sistema Android vem nele. E desencane de atualizações: as fabricantes se preocupam em atualizar apenas alguns topos de linha. E, no máximo, com uma única atualização. Os mais badalados, mais vendidos e mais caros, até poderão receber duas. Não mais que isso.

O que eu aconselho é que peguem um aparelho ao menos com a versão 4.1 do sistema. Nos meus reviews, tem quem tire sarro quando considero um modelo 4.1 “atualizado”. Sim, sim, muita gente aí tá com a 4.2, outros recebendo a 4.3, e quem mal recebeu a 4.3 já está se pergutando quando sai a 5.0. Gente… desencanem dos updates, senão vocês deixarão de curtir os benefícios da mobilidade e ficarão eternamente ansiosos! Smartphones foram feitos para nos servir, e não para vivermos em função deles.

Pensem nos benefícios REAIS. E vamos fazer nossas escolhas com os pés no chão, certo? Comprar aparelhos com versão abaixo da 4.0 resultará em problemas de compatibilidade com muitos apps, portanto, a vida útil dele será mais curta. Já a versão 4.0 é meio problemática com bateria, tem diversas instabilidades. A 4.1 corrigiu os problemas e ficou mais estável, justamente por isso eu a recomendo como requisito mínimo.

E sejam felizes com o dispositivo que vocês escolherem conscientemente, de acordo com suas necessidades. Vamos escolher aquilo que vai nos servir melhor, dentro do nosso orçamento. Não o que a modinha dos “absurdamente caros em 12 vezes” ou o mercado dos “defasados a preço de ouro” nos empurram.

Dicas de uma viajante minimalista

Sou uma pessoa que viaja bastante, principalmente a trabalho. A vida me obrigou a ser prática na hora de fazer as malas. Costumo causar espanto quando mostro que viajo por 2 ou 3 dias com uma mochilinha apenas, mas nada repercutiu tanto quanto minha jornada de bike pelo vale do silício semana passada. Foram 7 dias com uma mochila, que nem é das grandes.

Detesto despachar malas. Sair atrás delas em aeroportos é uma tremenda perda de tempo, fora o cansaço com o peso extra e o stress quando a companhia aérea nos extravia alguma coisa. Quanto mais coisas se leva, mais se fica preocupado com elas e menos se curte a viagem em si. Portanto, em viagens domésticas, jamais despacho bagagem. Nas viagens internacionais isso às vezes é inevitável por causa de certos itens de despacho obrigatório. Para a aventura que me propus a fazer na última semana, decidi ir mais leve do que nunca.

A aventura foi pedalar por 3 dias pelo vale do silício e depois mais 3 dias em San Francisco para a Evernote Conference. Isso incluía a compra da bike na chegada aos EUA, bem como alguns acessórios. Depois eu voltaria com a bike à loja de origem para desmontar, empacotar e levá-la comigo ao Brasil. O ponto de partida foi San Francisco; a chegada, Cupertino. E depois todo o percurso de volta. Calculei que o passeio seria de uns 200km. Na volta a San Francisco, participaria da Evernote Conference.

Mas a aventura fica para outro post, o que quero falar aqui é da minha bagagem…

Embarcando

2013-09-22 13.50.51

A foto acima mostra como embarquei no aeroporto de Curitiba. Roupas, cosméticos, artigos de higiene e acessórios foram todos na mochila. Trata-se do modelo Borealis, da The North Face.

Já tenho há alguns anos, adoro de paixão, e apesar de parecer pequena, cabe o mundo dentro. A capacidade é de 25 litros.

A bolsa menor, lilás, é da Kipling. Ela foi perfeita para a viagem porque eu poderia esvaziá-la, dobrá-la e guardá-la dentro da mochila quando fosse pedalar. É de nylon, portanto, fica bem pequenininha quando está dobrada. Assim como a mochila, no quesito espaço as aparências enganam: ela é compacta por fora, mas absurdamente espaçosa por dentro. De quebra, possui um zíper na base que a expande caso seja preciso acondicionar mais coisas.

Na ida, ela foi bem vazia: levei o iPad mini, os celulares, documentos, passaportes, óculos e uma pequena necessáire. A idéia era guardá-la na mochila assim que desembarcasse em S. Francisco para pedalar.

Roupas, cosméticos e itens de higiene

2013-09-25 10.37.31

A bolsa preta na foto acima é da Curtlo, e serve para guardar roupas. Acreditem se quiser, tem roupa para 7 dias ali dentro, graças a algumas liçõezinhas que aprendi com o tempo:

1. Priorizar roupas que não amassam e secam rápido. Camisetas esportivas dry-fit são as ideais, pois se eu precisar lavá-las, secam em pouco mais de uma hora. Minhas marcas favoritas são Adidas, Puma e Nike. Levei ainda 2 camisas sociais por causa do evento de tecnologia, mais uma calça social preta, que também não amassa. Para dobrá-las, faço rolinhos. Sou uma mulher mega esquisita para roupas, não? Detesto shoppings e não tenho muita paciência para compras. Quando vou, é porque já tenho algo definido — sempre baseado no corte e na tecnologia do tecido.

2. Saber escolher calças: uma social preta para o evento da Evernote e uma bermuda de ciclismo. Levei uma calça preta extra para viajar de avião. Normalmente uso jeans nesses casos, mas para evitar peso e volume, levei uma esportiva da New Balance. Todas de tecidos que não amassam.

2. Sempre usar peças-coringa: elas precisam todas combinar entre si. Verdade que meu guarda-roupa não é dos mais fashion… eu priorizo mais a função do que a forma. A maioria das minhas peças é preta ou branca. Para dar um pouco de cor, uso vermelho, que adoro. E por fim, jeans. Pronto. Tudo combina entre si, e eu não preciso perder tempo bolando composições.

3. Roupas térmicas: não foi o caso desta viagem, mas no inverno, uso apenas roupas térmicas. Isso evita o “efeito mendigo”, ou seja, o ato de vestir camadas e mais camadas de roupa quando está frio. No meu caso, pode estar zero graus que uso apenas uma blusa térmica por baixo e um pulôver ou jaqueta por cima. Se necessário, adiciono cachecol, meia-calça e/ou luvas.

3. Calçados: Fui com um tênis nos pés para andar e pedalar e levei uma sapatilha preta baixa para os dias do evento. Não gosto de saltos muito altos, por questões de saúde. Felizmente nem preciso, tenho 1,72m. Meu limite nos saltos é 5, somente marcas anatômicas (como Comfortflex ou Usaflex) e apenas em ocasiões mais formais. Nunca levo calçado que não usarei. Meu limite é esse mesmo, 2 pares. Dica para mulheres que precisam usar salto: Band-Aind Friction Block. Uso também quando faço corridas e caminhadas de 3h ou mais. Mesmo com tênis de corrida!

4. Roupas de baixo: nas viagens, levo peças-coringa, como bodies, que podem servir ao mesmo tempo como camisetas e ficam charmosas sob camisas. Nesta viagem, mais esportiva, não levei sutiãs, apenas 2 tops da Adidas — mais reforçados e que secam no mesmo dia se eu precisar lavar — e um body preto. O mesmo vale para meias, uso as de ciclismo, mais funcionais.

Conforme as roupas vão sujando, guardo-as em saquinhos Ziplock para não misturar com as limpas. Uso esses saquinhos também para os cosméticos e itens de higiene. Ziplock é vida!

Levo 2 nécessaires. Uma pequena, com os itens que preciso ter sempre à mão: escova, fio e creme dental, lixa de unha, Tide To Go, escova de cabelo portátil com espelho, absorventes, rímel e batom. Na necessáire maior, vão shampoo, condicionador, desodorante, hidratante, sabonete líquido, maquiagem básica, pincéis, demaquilante, algodão, cotonetes etc. Notem que são todos em versão pocket, para não ocupar espaço. Gosto muito dos cosméticos da Lancôme e da Clinique. Além de serem excelentes, sempre ganho de brinde as versões pocket que levo em viagens.

Importante: Nunca faltam na minha bolsa lenços umedecidos. Amo, pois servem para tudo e quebram o maior galho em emergências.

Acessórios

2013-09-25 10.44.58

A carteira vermelha, da Kipling, é muito grande para usar no dia-a-dia. Só a uso em viagens porque cabem todos os cartões possíveis e imaginários, cédulas, moedas, meus 2 passaportes e uma pequena caneta esferográfica.

Na bolsinha lilás transparente levo medicamentos, alguns saquinhos de chá e adoçantes. Vocês já devem ter notado que não me separo da minha tumbler térmica para chá/café nem da minha garrafa Bobble. Preciso beber muita água. E bebidas quentes sempre vem a calhar quando estou trabalhando no computador. Nos EUA, de manhã cedo, tenho o hábito de abastecer minha tambler numa cafeteria e ir tomando pelo caminho. Além de prático é ecológico.

Não aparecem na foto a jaqueta dupla-face (preta e vermelha) que eu estava vestindo, a jaqueta de ciclismo, o capacete (prendo os 3 nos cordões externos da mochila quando não uso) e os 2 lockers da bike.

Itens tech

A bolsinha listrada de preto e branco é para os itens tech: cabos, carregadores, adaptadores de tomadas e afins. Nunca viajo com pendrives ou HDs porque são fáceis de danificar ou perder. Só uso nuvem. Como consultora e blogueira, obviamente, sempre me certifico das conexões web dos hotéis em que me hospedarei e uso planos de internet móvel de operadoras locais.

Se não fosse a conferência de tecnologia, dessa vez eu só levaria comigo os 2 smartphones. Eles usam o mesmo carregador micro-USB, então, poderia dispensar também a bolsinha listrada e só levaria o adaptador de tomada universal, indispensável para viagens fora do Brasil. Por causa do compromisso de trabalho, levei também o Macbook Air, o iPad mini e seus respectivos cabos. Detesto esta falta de padronização, acabo tendo que levar um arsenal de fios…

IMG_4431

Na foto acima estão minha tumbler, a Bobble e os itens tech: MacBook Air, iPad mini, os 2 smartphones (Galaxy S4 e Lumia 900), iTrend (bateria externa). O bloco azul é da caneta Livescribe, que está ao lado, junto à caneta Bamboo. E um porta-cartões de visita.

Por que 2 smartphones? Nessa viagem, o S4 funcionou como meu GPS, preso à bike. O Lumia ficou como câmera fotográfica. A Livescribe levei para gravar palestras e entrevistas do evento da Evernote. O iPad, para usar no evento e testar a versão iOS do Evernote. O Air usei basicamente para escrever, e ainda estou me perguntando se, mesmo a trabalho, não poderia ter deixado em casa…

Mais pra frente contarei como foi esta minha primeira de muitas aventuras geeks de bike pelo mundo… estou cada vez mais mobile, até à medula, não?

O problema não é o papel, é o uso burro que se faz dele… (ou: um balanço da #ec2013, com fotos e vídeos)

2013-09-26 10.53.44

Essa frase do Phil Libin, CEO da Evernote, foi um prenúncio do que viria nesta Evernote Conference 2013. Participei ano passado e esse ano repeti a dose, mais uma vez, como embaixadora. Achei fantástica, bastante original, a preocupação em cada vez mais conectar o mundo “digital” ao “físico”. Não, decididamente, Evernote não é apenas um “app”…

Quem me acompanha neste blog em seus 11 anos de existência sabe que meu grande paradigma sempre foi conciliar papel e bytes. O mundo tech idealizou um “mundo sem papel”, mas nunca se consumiu tanta celulose como nos dias de hoje. Porque a carga de informação que cai em nossas cabeças diariamente só cresce, não importa o meio.

Já que não dá para abolir o papel de nossas vidas, temos que usá-lo de forma inteligente, não? E esse foi o foco da Evernote Conference 2013!

Lançamentos

O Evernote Market foi um acontecimento. Cada vez mais preocupada com o estilo de vida dos seus usuários, a empresa procura agora criar uma identidade. Faz tempo que parei de chamar o Evernote de “app de anotações”, preferindo “gestor de conhecimentos” ou “memória virtual de curto, médio ou longo prazo”. Para melhorar a interação com o serviço em nuvem, partiu-se para a concepção de produtos físicos que melhorem ainda mais a experiência dos usuários.

Para começar, uma stylus nada convencional: a Adonit Jot for Evernote. Em fase final como protótipo, ainda não disponível comercialmente, a ideia é aperfeiçoar o uso da escrita em tablets, substituindo a dupla papel e lápis. A Adonit já faz uma das melhores stylus da atualidade, e foi a equipe do Penultimate (app que também pertence à família Evernote), achando todas as atuais soluções do mercado inadequadas, que os contatou decidindo fazer sua própria.

Com uma ponta tão fina, e de metal ao invés de borracha, qual o segredo dessa stylus? Resposta: bluetooth. Ela trabalha com a versão mais recente do bluetooth da Apple, portanto, seu uso está limitado ao iPad 3 e sucessores. O “look and feel” é fantástico na mão. No meu iPad mini não funcionou; portanto, nada mais posso dizer por enquanto. Receberei uma em breve, quando estiver pronta para ser comercializada.

2013-09-26 16.04.08

2013-09-26 12.22.51

Confesso que sou bem cética com stylus para iPads. Qualquer uma. Por mais evoluída que seja, sempre será uma gambiarra. A tela do iPad não foi feita para isso. Já vi artistas fazendo desenhos e pinturas fabulosos em iPads, mas quando é para uma pessoa comum escrever, o bicho pega. Já com a família Note da Samsung a história é outra: junto com a S Pen, o produto foi concebido especificamente para isso. Vejam o Galaxy Note 3 em ação comigo no vídeo abaixo:

Tem mais: brinquei um pouquinho no relógio inteligente Galaxy Gear… que também suportará o Evernote! Vejam:

É por isso que, apesar de hi-tech e sem fio, continuo às voltas com papel e caneta. Alguns desinformados já tiraram sarro ao olhar minhas fotos nas redes sociais com canetas e cadernos. Eles não sabem que minhas canetas e cadernos são hi-tech e sem fio…

Uso a caneta Livescribe para tomar notas que precisam de áudio vinculado. É preciso usar cadernos específicos, mas considero um problema menor. Ela facilita tanto minha vida que não me imagino mais sem. Utilizo em coletivas de imprensa, nas aulas de alemão e quando tomo notas em reuniões com clientes. Tudo vai pro Evernote depois, para cadernos específicos, onde poderei achar facilmente qualquer informação contida — as buscas funcionam bem e reconhecem meus rabiscos sem problemas. Por isso não uso os cadernos de papel para consultar, só para capturar mesmo. Vocês já não sentiram angústia ao folhear incessantemente cadernos e livros em busca de algo? Deste mal, pelo menos, estou livre!

Uso também os cadernos Moleskine. Já usava antes de surgir a versão para Evernote. Para algumas pessoas, são apenas cadernos hipsters, chiques e caros. Pra mim são práticos nos casos em que, diferente da Livescribe, anoto informações que quero manter em papel por um bom tempo. Neles, faço planejamento de projetos a longo prazo, que sofrerão alterações com o tempo, geralmente em mind-maps que são alimentados aos poucos. O que tornou os Moleskines clássicos são o acabamento perfeito (as folhas não soltam, por mais que você dobre o caderno) e o tratamento químico nas folhas (acid-free) que os fazem durar séculos. Ah, como eu queria ter usado Moleskines na época da faculdade… Quase 20 anos depois, meus cadernos estão literalmente se dissolvendo! E tenho um apego enorme a eles.

Pois bem, no evento desta semana, Moleskines em novos tamanhos e padrões de folha foram lançados:

2013-09-26 16.08.53

Outra novidade do evento é a parceria com a 3M. Post-its para Evernote!

Se o Evernote organiza as anotações das Moleskines através dos stickers colados nas páginas, com os Post-its a organização é feita pela cor do bloquinho. São nuances diferentes de cor dos Post-its comuns, por isso o app não reconhece os tradicionais. Notem, por exemplo, a tonalidade diferenciada do amarelo: isso foi feito para padronizar a identificação pelas câmeras dos smartphones.

2013-09-26 16.34.32

Sou uma grande fã de Post-its. Além dos blocos, sou viciada nas flags, que uso para marcar páginas de livros e cadernos. Fiquei felicíssima com a parceria da Evernote porque poderei me organizar melhor agora. Como uso muito os bloquinhos auto-colantes para delegar tarefas a terceiros, agora poderei ter uma cópia digital de todas as notas num único lugar, podendo acompanhar a evolução dessas tarefas e associar lembretes sonoros, se necessário. Pena que por enquanto é só para iOS7, mas a versão Android não deve tardar.

As mochilas são outro lançamento interessante. O modelo messenger, em especial, entrou na minha lista de desejos. Feita em conjunto por designers e engenheiros, seu objetivo é desafiar a lei da gravidade e permitir que os itens sejam acondicionados sem fazer bagunça. E por mais que você sacoleje depois, eles estarão no mesmo lugar. O segredo são os contêiners internos estruturados e o design triangular:

2013-09-26 12.16.43

2013-09-26 12.16.18

2013-09-26 12.15.59

Há outros modelos de mochilas, todas feitas pela francesa Côte&Ciel. Há até carteiras! Minimalistas e funcionais, são inspiradas no padrão japonês de se acondicionar dinheiro, cartões e documentos:

2013-09-26 12.20.50

Para fechar o post, a cereja do Sundae: a Evernote ScanSnap. Não parei de babar em cima. Se não tivesse a bike para levar pro Brasil, com certeza era esse scanner que iria pra casa comigo. Fiz um pequeno vídeo demonstrando o produto:

Scanners wireless da Fujitsu conectados ao Evernote não são novidade, mas este é o primeiro exclusivo para Evernote. Além de escanear (frente e verso) múltiplas folhas de uma só vez, mesmo que sejam de tamanhos diferentes, o software identifica a natureza do documento e os organiza sozinho. Ele sabe o que é um cartão de visitas, um recibo de compra, uma foto, uma planilha… E salva tudo nos cadernos que você pré-definir, com as devidas tags. Fabuloso!

A Evernote Brasil fez um hangout com os embaixadores brasileiros — eu e o Vladimir Campos — para apresentar as novidades. Segue o vídeo.

Onde comprar?

O que meus leitores mais me perguntaram ao longo do evento foi: todas as belezinhas estarão à venda para nós, brasileiros? A loja online despacha para o mundo todo, então, manda para o Brasil também. Mas claro, haverá tributação quando os itens chegarem na nossa alfândega. É preciso fazer as contas na ponta do lápis para não ter surpresas desagradáveis depois.

E quanto a trazer essas coisas para lojas físicas daqui? Nesse caso, a resposta por enquanto é negativa. Não foi falta de insistência minha junto ao pessoal da Evernote. Mas vocês sabem que qualquer empreendedor, de qualquer empresa, tem dores de cabeça enormes ao trazer seus produtos para cá, com impostos, custos logísticos acima da média e uma burocracia mosntruosa.

Os produtos já tem preço acima da média nos EUA, porque são uma categoria premium. Alguns exemplos:

Stylus: U$ 79.90
Bolsa mais barata: U$ 199
Carteira: U$ 99
Kit mais barato de Moleskines: U$ 34
ScanSnap: U$ 499

A exceção fica por conta dos Post-its, que abastecerão nossas lojas junto com a coleção tradicional. Mas e o scanner ou as bolsas, vocês conseguem imaginar quando custariam aqui? Sinceramente, minha dica é: comprem quando forem fazer um passeio na terra do Tio Sam. O scanner já está na minha lista de compras para uma próxima viagem. Porque valer a pena, qualquer coisa que nos poupa trabalho e faz ganhar tempo vale, não acham?

Review: iOS7: The good, the bad and the ugly

Passados alguns dias com o iOS7, finalmente tenho uma opinião formada sobre ele. Em princípio não quis testá-lo quando ainda estava em beta por causa da imensa quantidade de bugs, tive receio que isso afetasse minha percepção geral. Contudo, eu tinha aprovado as mudanças estéticas.

Tinha.

Abaixo, minhas impressões.

good

The Good. Já tinha afirmado antes que o sistema estava datado, precisando não apenas de um “banho de loja” visual mas também ferramentas mais modernas, como melhor integração com redes sociais. É uma demanda moderna que vem de berço nos concorrentes Windows Phone e Android.

A quantidade de novas ferramentas no iOS7 é gigante, mas as que o usuário comum acessa o tempo todo são as mais perceptíveis, e por isso mesmo, as mais comentadas. O destaque são as “cortininhas”: a tradicional, de cima para baixo, que mostra notificações, ganhou uma boa turbinada e mostra muito mais coisas. Talvez até demais. Felizmente podem ser personalizadas no ícone Ajustes (Central de Notificações e Central de Controle). E a nova, que se abre ao deslizar o dedo de baixo para cima, na borda inferior da tela, é um alento: planear de música, volume, brilho, AirDrop e atalhos para alguns apps e opções de conectividade, como bluetooth, wifi, modo silencioso, avião. Incrível como tivemos que esperar até o iOS7 para ter oficialmente algo que se fazia somente por jailbreak desde o iOS2! Pena que a Apple dormiu e esqueceu de um atalho para dados móveis, indispensável para os devoradores de bateria…

Gostei também da nova multitarefa, em “cards”, podendo-se enxergar dentro de cada aplicativo aberto. A novidade nasceu no finado webOS, sendo adotada também pelo Windows Phone, Android e Blackberry 10. Só faltava mesmo o iOS. Viva!

Outra novidade bem-vinda: um ícone exclusivo para o FaceTime. As avós que apenas recebiam chamadas em vídeo dos netos, porque se batiam na hora de chamá-los, agora certamente utilizarão muito mais o recurso.

bad

The Bad. iPhone e iPad são aparelhos que fazem muito sucesso com leigos em geral, pela sua simplicidade e baixa curva de aprendizagem. De repente, o cidadão, habituadíssimo a acessar a barra de buscas deslizando o dedo para a direita, não consegue mais fazer isso. “Socorro, me ajude, cadê o Spotlight?” foi a pergunta que mais ouvi nós últimos dias. Outro exemplo foi o Mail, que agora arquiva, deleta ou responde mensagens deslizando o dedo no sentido oposto ao que era antes! Pior: no sentido que era antes, para a direita, ele simplesmente sai do modo de lista! Irritante, no mínimo. Eu mesma não me acostumei ainda, e quem não tem tempo nem paciência para reaprender a usar seu aparelho de tantos anos está furioso.

Se você notou que sua bateria está durando menos, dá para desmascarar fácil o vilão da autonomia do iOS7. Em Ajustes > Geral, desligue as “atualizações em segundo plano”.

ugly

The Ugly. Cores são bem-vindas. Eu adoro. Desde que não comprometa a visibilidade e a leitura. E infelizmente, foi justamente isso que aconteceu.

Quanto ao redesign dos ícones, não os acho ruins. Fazem parte da nova identidade visual, e certamente, a nova “cara” do sistema já foi concebida pensando nos futuros iPhones e iPads com tela maior. (Quando digo maior, não é “esticada”, ok?) Mas concordo que alguns ícones ficaram um pouco esquisitos (gente, o que é aquele do Game Center, heim?) e outros ficaram tão diferentes que as pessoas estão demorando para localizá-los — como o Fotos. Era tão intuitivo achá-lo! Agora, levamos um bom tempo para encontrá-lo no meio desse forrobodó de cores, e, junto com o Notas, Lembretes, Calendário e outros, vai demorar um pouco para decorarmos a cara de cada ícone repaginado!

Mas o problema mais grave é o das fontes. Já acho péssimo que as fontes sejam proporcionalmente tão pequenas no iPad, mas agora, elas estão apagadas. Quem tem dificuldades para enxergar de perto mal consegue vê-las. E se as opções nativas de papel de parede e plano de fundo em nada ajudam, na hora de se usar as próprias fotos a legibilidade desaparece completamente.

Felizmente dá para amenizar um pouco esse sufoco. Nos Ajustes, dá para ativar o modo “texto em negrito”:

2

O chato é que tudo ficará em negrito, mas pra mim, não comprometeu. Quem estiver com dificuldades de ler fontes menores, sugiro que ative o recurso. Também dá para mexer no tamanho da fonte, mas isso só vale para alguns poucos textos dentro de aplicativos, como por exemplo, o corpo de emails.

Vejam o antes e o depois do texto em negrito. Sutil, mas ajuda:

3

4

De resto…

Algumas coisas estão bem estranhas no iOS7. Textos quase vazando de janelas mostram um certo desleixo com idiomas que não sejam o inglês. Curioso que isso é comum em Android, mas no iOS parece um pecado mortal. Não é exagero. A Apple sempre primou pela excelência nos detalhes, daí a estranheza.

Acho que logo logo sai um pacotão de correções num provável iOS 7.1. Talvez eu goste mais das novidades. No fundo, eu até gostei do novo sistema, só acho que faltou um pouco de refinamento.

E vocês, o que mais gostaram ou detestaram no novo iOS7?

Polêmica: o tal leitor de digitais do iPhone 5s…

touch-id

Tenho recebido um monte de mensagens polêmicas sobre o tema “Apple vs. inovação”, pegando carona ainda na pauta dos novos iPhones 5s e 5c.

Esses iPhones venderão bastante porque atendem uma demanda bem imediatista, que são as cores. O 5c é bonitinho — desde que não se use aquelas capas Crocs assustadoras. E o 5s dourado, não duvidem, será hit.

Mas lembrem-se que o mercado analisa os produtos pensando a longo prazo, e o DNA da Apple é a inovação. A resposta veio no mesmo dia, no mercado de ações: os novos aparelhos foram recebidos com certa frieza.

Sim, é apenas uma atualização da família 5, como praxe. Toda a expectativa de redesign ou tela maior fica para uma futura família 6. Se Steve Jobs estivesse vivo, eu diria que a expectativa ficaria em cima alguma outra coisa que achamos que não precisaríamos nunca, mas que de repente, não nos imaginaríamos vivendo sem… Mas com Tim Cook no comando, tenho minhas dúvidas.

Para mim, a única novidade é o leitor biométrico, chamado Touch ID, que pode abrir novos parâmetros nesse universo gato-e-rato que é a segurança nas autenticações. Não que seja novidade de fato, mas a Apple é craque em pegar uma tecnologia que já existe, simplificar seu uso e massificá-la. É o caso do Touch ID. Reparem: o sistema armazena múltiplas digitais, inclusive de outras pessoas (desde que cadastradas previamente), que podem ser lidas em qualquer posição: de lado, de frente, de ponta-cabeça… isso sim é a Apple fazendo o seu melhor. Alguém aí se lembra como eram os dispositivos touchscreen antes do iPhone?

Seria um sucesso estrondoso, imediato, não fosse a crise de privacidade despertada pela NSA. Não sei se o momento ideal para se colocar um leitor de digitais no iPhone seria esse. Além do desbloqueio do aparelho, a digital pode ser usada para compras nas lojas virtuais de apps, músicas, filmes e livros da Apple. Só da própria Apple, pois não há API para desenvolvedores por enquanto, e imagino que isso será adiado até que a polêmica da privacidade esfrie um pouco.

Claro que a empresa já tinha esse projeto há algum tempo, e nem sonhava com um incidente desse porte sacudindo o mundo. Então, só o tempo dirá como o público vai receber a nova tecnologia.

E vocês, pessoalmente: como enxergam um leitor de digitais autenticado tudo e qualquer coisa em seu celular? Prático sabemos que é, mas acham seguro de fato? 

Novos iPhones: pouca inovação, muito senso de oportunidade

Enfim, os novos iPhones deram as caras! Geralmente os rumores acertam muita coisa. Não foi diferente dessa vez, com um porém mais sério: não existe nenhum iPhone “popular”, ou seja, de entrada.

Ainda bem. Diante da perspectiva de novos dispositivos coloridos, com pouca capacidade de armazenamento, câmera de qualidade inferior atrás e ausente na frente, comentei nas redes sociais que isso seria furada. Só demonstraria desespero diante da dominação de mercado do Android. Por que? Oras, o DNA da Apple é trazer inovação, experiência de uso, “think different”. E é óbvio que isso custa mais caro. Se há 3 décadas é assim no segmento de computadores, no mobile seria diferente? Os iPods “perdiam” funcionalidades apenas quando se desejava encaixá-los em outra categoria de produto, com público alvo distinto. Jamais se “piorou” algo para deixá-lo barato. Em 2007, o primeiro celular da empresa nasceu dividindo o mundo em “antes” e “depois”. Cair o padrão agora seria o princípio do fim.

Como praxe, modelos antigos cumprem o papel de aparelhos de entrada. Caberá ao 4s tal função. Achei curioso tirarem o 5 da jogada. Temos oficialmente, 4s, 5s e 5c (sim, tudo minúsculo agora) em linha — para desespero dos fabricantes de cabos e acessórios. A sobrevida do conector de 30 pinos será maior do que imaginávamos!

Esclarecido esse ponto, vamos aos lançamentos.

iphone-5s

Não havendo iPhone “popular” no keynote de hoje, temos tanto o 5c quanto o 5s substituindo o 5 com diversas melhorias, com destaque para processador e câmera.

As novidades mais suculentas, todavia, ficaram só para o 5s: uma câmera poderosa, repleta de ajustes novos, um processador muito veloz (A7) e o leitor de impressões digitais, chamado Touch ID, que servirá tanto para desbloqueio do aparelho quanto autenticação na loja de aplicativos — e quem sabe, outras coisas nas futuras atualizações do iOS. A Apple jura que as digitais não irão para os servidores da empresa. Bem, nesses tempos de espionagem em níveis mundiais, tal sensor é bem polêmico… Melhor deixar para futuros posts, quando conferi-lo in loco.

Não ficou claro se esse novo botão/sensor home também é pressionável. Espero, sinceramente, que o antigo esteja com os dias contados. Ele quase me levou ao hospício no iPhone 4.

Outro destaque é o componente específico para movimentos. Foi o que eu mais gostei no novo 5s. Sem dúvida nenhuma, tecnologias de monitoramento de saúde são a grande (e mais útil) tendência hoje no campo da mobilidade. Com sua própria API, chamada CoreMotion, tenho certeza que coisas maravilhosas virão por aí, graças à competentíssima comunidade de desenvolvedores.

O “estilo Tim Cook de gerir” toma corpo

Câmera aprimorada, processador ultra veloz, sensor de movimentos, Touch ID… Claro que tudo isso é bem-vindo. O novo 5s é o melhor smartphone da Apple até hoje. Mas não temos inovações no segmento da tecnologia móvel. O que temos é tendência: se o Touch ID for eficiente e tiver boa aceitação, se disseminará entre todas as fabricantes.

Pela primeira vez desde a morte de Steve Jobs, vemos delinear-se o “padrão Tim Cook” de gerir. Algo que, até então, só tínhamos um esboço. E o novo padrão é esse: pouca inovação e muito senso de oportunidade. Se a polêmica dos Mapas sugeriu que a preocupação atual da Apple era bater no Android, os lançamentos de hoje confirmam. Isso não quer dizer que seja algo ruim. É uma visão diferente, uma resposta diante de uma ameaça. Só é preciso tomar cuidado com a velocidade das concorrentes.

Pela primeira vez vemos dois iPhones diferentes lançados ao mesmo tempo. Ambos apostando em cores, algo inédito no mundinho preto-e-branco dos celulares da maçã. E não tenham dúvidas: venderão muito bem. Se o primeiro iPhone veio ao mundo para inovar, essa nova geração veio mesmo é para cair nas mãos do povo. O pessoal da Nokia e da Motorola pegaram o recado antes… a necessidade de maior personalização era bem óbvia, visto o universo paralelo em que se transformou o mercado de capinhas.

Os mais nerds podem fazer cara feia, os haters androideiros podem zombar, mas a tia Maricota, fã de seu iPhone branco, adorou. Ela não precisará mais sentir inveja dos Androids ou Windows Phones coloridos das amigas. Agora, dará para optar entre um iCrocs, ops, iPhone 5c, como nos tempos do seu antigo V3 da Motorola (lembram?) ou um iPhone 5s dourado, se seu estilo perua falar mais alto. Aliás, anotem: esse modelo dourado será um ícone entre os hipsters que sentem necessidade fisiológica de exibir sempre o iPhone mais recente.

iphone-5c

Pessoalmente, o modelo dourado não é de mau gosto como eu imaginava — admito que senti um arrepio na pacuera quando soube dos rumores. Agora os iCrocs… são até simpáticos caso o vivente não bote uma daquelas capas perfuradas em cor diferente. Mas sei lá, é o meu gosto. Para pessoas como eu, há as capinhas para 5s, que felizmente são mais sóbrias.

Em uma coisa, porém, todos vocês concordarão comigo: o iPhone é o novo V3.

Sobre Microsoft e Nokia

A Microsoft anunciou ontem a compra da divisão de celulares da Nokia. Há uma parte da empresa que cuida de redes e ficou de fora de transação, mas é uma parcela pequena.

A Nokia que todos nós conhecemos — e amamos — é a que foi adquirida pela Microsoft.

A verdadeira revolução móvel nas telecomunicações se deu por causa da finlandesa. Não conheci nenhuma outra companhia de celulares que tivesse antropólogos entre seus funcionários. Por isso, nenhuma outra foi capaz de entender tão bem as necessidades humanas no campo da comunicação.

Fiz um post no Facebook ontem lamentando a aquisição. Houve quem concordasse e quem discordasse. Leiam aqui.

Gostaria de acrescentar mais algumas coisas.

Comemorei a saída de Ballmer e a retomada do Elop porque o que o Ballmer fez pelo setor de mobile na Microsoft foi lamentável. Não o acho bom gestor. Não o acho bom marqueteiro. Só vejo um cara folclórico e fanfarrão, que teve a felicidade de ser muito amigo do fundador. Mas o Elop não é nenhuma fadinha da Disney…

O Windows Phone é um excelente produto, o time técnico é muito sério e competente. A Nokia, com sua qualidade e tradição, logo dominou a plataforma com seus Lumias. Notaram como HTC e Samsung discretamente saíram de cena?

Mesmo com todo o ambiente favorável, pareceu que de repente a plataforma empacou.

Eu estava muito empolgada com o Windows Phone. Há um 1 ano eu estava feliz com meu Lumia, apesar dele não receber atualização para o Windows Phone 8. Isso me frustrou, mas continuei acreditando no potencial da plataforma. O pé atrás era com relação à Microsoft, que me passava a estranha sensação de estar sabotando a Nokia. Os melhores apps, as melhores customizações, o melhor hardware era da Nokia. Windows Phone virou sinônimo de Nokia! Mas como a alta cúpula da Microsoft é quem dava as cartas, o tudo de repente empacou.

A Nokia, enquanto tinha autonomia e gestão eficiente, foi bem sucedida. Tudo ia pra frente: comprou a Navitec e arrasou com seus mapas; o Symbian, que foi e voltou, reinou por anos no mercado. Os featurephones idem. O S40… A parceria com a Zeiss para suas câmeras matadoras… o casamento perfeito entre hardware e software… quem aí não se lembra daquele seu Nokia cujo despertador funcionava mesmo com ele desligado?

Não posso dizer o mesmo da Microsoft, que hoje só manda bem em consoles de games. De resto, tem sido uma furada atrás da outra. O Exchange é bom mas parou no tempo. O Office foi pra nuvem mas precisa ainda convencer as pessoas a pagar assinaturas. O Outlook ex-Hotmail não agradou os leigos, pois a mudança veio tarde, quando já estavam preferindo o Gmail. O navegador Internet Explorer é considerado mico. O Windows 8 é um sistema operacional “pato”, não faz nada direito. As poucas pessoas que conheço que migraram do 7 usam o 8 no “modo 7 de ser” e pediram o botão “Iniciar” de volta. O Surface é uma boa idéia mal implementada. Até o Skype, que recém completou uma década de vida (e eu ainda adoro), parece ter perdido sua força diante do mensageiro do Facebook, do Whatsapp e do Hangout. Tem ainda os desentendimentos com o Google, que comprometeram vários apps no Windows Phone, como o YouTube… o desânimo dos desenvolvedores… e o tal do Kin… meu Deus, alguém ainda se lembra daquilo?

Como fã da Nokia há uns 15 anos, queria que ela assumisse com autonomia total e divisão mobile da Microsoft. E não o contrário, como infelizmente aconteceu. Daí esse meu sentimento de “princípio do fim”. Não me conformo que a gigantesca Nokia tenha sido comprada por pouco mais de U$ 7 bi. Não me conformo nem com esse valor! Quanto foi que pagaram pelo Instagram mesmo? Por mais que seja uma rede social em ascensão, versus uma companhia de celulares em declínio, quanto vale o capital humano? A tradição? As décadas de patentes e mais patentes?

Sei lá. Torço para que eu esteja errada. Não me considero nenhuma vidente… é que, com o tempo, a gente nota um padrão na identidade das companhias. Se por acaso os próximos 2 ou 3 anos mostrarem que eu estou equivocada hoje, me mandem o link deste meu post. Será um dia muito feliz.

Página 10 de 226« Primeiro...89101112...203040...Último »
Desenvolvido por Agência WX